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Real Madrid: Na BBC passou o Feios, Porcos & Maus

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ALBERTO MARTIN

Bale, Benzema e Cristiano, o BBC do Real Madrid, foi pouco para uma Juventus que trabalhou mais e merece estar na final com o Barcelona. Os merengues verão a final pela TV.

Este Real Madrid é esquizofrénico e não encontro palavra melhor para o definir do que esta. Pensei em estúpido e estúpido também podia resultar, mas estúpido é o ignorante e o tolo - e o Real não é uma coisa nem outra; pelo contrário, quer tomar-nos a todos por tolos e ignorantes quando joga com trincos-faz-de-conta numa meia-final da Liga dos Campeões. O Real vive fora dela, da realidade.  É esquizofrénico. 

Eu julgava que essa era, a era Galática, dos Zidanes e dos Pavones, tinha acabado nesta segunda vida de Pérez no Real Madrid. Porque de branco, eu vi jogar rapagões como Khedira ou Xabi Alonso. musculados e contidos, com olhos debaixo da testa mas também na nuca. Só que este ano, Xabi seguiu para Munique, Khedira deixou de contar, e no lugar deles estão craques da bola no pé mas que não têm corpo para andar aos encontrões. É tudo muito bonito: o James é uma espécie de Rivaldo e o Isco é um Xavi com motor novo, mas um e outro tiveram ou têm gente com cabedal atrás dele - e Kroos não é esse tipo de gente.  

Esse tipo de gente está do outro lado da trincheira: Vidal, Pogba, Marchisio, que fazem a guarda avançada a Pirlo. E isso dá a Juventus a fibra e velocidade e intensidade com que vai correndo os metros do relvado atrás dos craques espanhóis, trabalhando como formiguinhas diante das cigarras que cantam e discutem e pedem faltas. Numa delas, que existiu, sobre James, Cristiano Ronaldo converteu um penálti (minuto 25) que reconverteu os mais céticos à causa da BBC: Benzema, Bale e Cristiano.

Mas a fé durou pouco. Porque a fé não se vê mas alimenta-se de coisas concretas e o que se viu foram concretizações falhadas na cara de Buffon, de Pirlo e do resto do elenco do Feios, Porcos & Maus que estava a passar na BBC.

Benzema, Bale e Cristiano não fizeram o golo que Morata fez (1-1, minuto 57) e isto não podia ser mais poético. Ou esquizofrénico. É que Morata é espanhol e foi jogador do Real Madrid até Pérez achar (ou alguém achar por ele) que era dispensável - marcou dois golos aos merengues nesta eliminatória.

Depois, é verdade, o Real apertou e tentou e desunhou-se e desuniu-se ao fazê-lo, mas sabia que os italianos eram o que sempre são - duros, sofredores natos, capazes de aguentar ao máximo para aproveitar o mínimo de oportunidades que lhes deem. E sempre que lhes deram uma nesga, puseram Casillas em sentido e deixaram o Real sem sentido. E sem títulos.  

Agora só lhes resta ver a final da Champions pela BBC.