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Basta uma sigla para explicar este Bayern-Barcelona: MSN

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Os três parceiros do Barcelona: Neymar, Suarez e Messi

Ina Fassbender

'M' de Messi, 'S' de Suárez e 'N' de Neymar. Assim se explicam os dois golos do Barcelona em Munique, que decidiram o pouco que ainda estava por decidir. O Bayern ganhou o jogo (3-2), mas é o Barcelona que vai à final da Liga dos Campeões.

Na minha rua havia um rapaz que era sempre o último a ser escolhido (sim, mesmo depois de uma rapariga, as raparigas também jogam, sabem?). Chamemos-lhe Zé. O Zé era bom rapaz e era esforçado, mas não acertava um passe, não ganhava uma bola e era capaz de falhar um golo a dois metros da baliza. Aquilo era certinho: ninguém queria o Zé porque equipa que tivesse o Zé já começava em desvantagem. 

E porque é que o Zé é para aqui chamado? Simples: porque há vezes em que a qualidade dos intervenientes faz com que se comece logo em vantagem. É que, além do 3-0 que já trazia de casa, o Barcelona já tinha uma vantagem tripla sobre o Bayern de Munique, que está sem Robben e Ribéry: o ataque MSN, que é como quem diz Messi-Suárez-Neymar.

E o que é o MSN? Pep Guardiola explica. "O Barça tornou-se a melhor equipa do mundo a atacar em contra-ataque", disse na antevisão do jogo (retirando ao Real Madrid um título que lhe pertenceu durante muito tempo). Pois é, já não é o que era. À conta de quem? De MSN, pois claro.

O Bayern de Munique até foi o primeiro a marcar - Benatia, de cabeça, aos 7' -, mas minutos depois fez o que não podia fazer: dar espaço ao MSN. Porque Messi passa, Suárez assiste e Neymar marca. 1-1. Se ainda não perceberam, eles explicam outra vez: Messi passa (esta até foi de cabeça), Suárez assiste e Neymar marca. 2-1.

Ou seja, aos 29' a eliminatória já estava em 1-5. Duro. Muller e Lewandowski ainda estiveram perto de reduzir, mas Ter Stegen fez defesas que ficam para história e a primeira parte, que teve períodos frenéticos, acabou com um 1-2 (que na verdade era um 1-5). E a segunda parte já foi uma espécie de passeio para o Barça, que pouco atacou e ainda viu Lewandowski e Muller finalmente conseguirem marcar, perto do final. Mas o 3-2 (que na verdade era um 3-5) já não deu para mais.

O Bayern teve mais bola, sim, mas faltou-lhe algo em que habitualmente é fortíssimo: a pressão. Há dias, em conversa com um jogador do FC Porto, ele explicava: "Eles pressionam tanto que parece que têm mais de 11 em campo". Esta terça-feira bastou a pressão falhar em alguns momentos (ou a abordagem da linha defensiva falhar redondamente, como no segundo golo) para MSN ter espaço e acabar com a eliminatória. Porque o problema de quem ataca muito, e muito à frente, é ficar com muito espaço nas costas. E se esse espaço não é controlado convenientemente, chapéu. Porque quem está lá é um tridente feroz: Messi-Suárez-Neymar. Não é o Zé.