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Há remédio para tudo, menos para Messi

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FOTO ALBERT GEA/REUTERS

O Barcelona ganhou por 3-0 ao Bayern de Munique com dois golos (e uma assistência) do argentino. Guardiola inventou e complicou as contas da meia-final; Luis Enrique descomplicou e pôs um pé na final.

Desculpem qualquer coisinha mas vou ali ao futuro e já venho. Prometo que é um instante, hora e meia e uns pozinhos, tempo mais do que suficiente para vos trazer a nova boa-nova de Pep Guardiola, o homem que vive com um pé aqui e outro lá, à frente de todos nós. 

O que é que ele anda a congeminar agora? Isto: um desenho dentro de outro desenho, como aqueles estereogramas em que vemos duas imagens quando desfocamos a vista. E enquanto esfregamos um olho, o Bayern muda de aparência: ora joga com três, quatro ou cinco lá atrás e vai compondo o resto à medida do que Pep quer. Não bastava aquele lufa-lufa do tiki-taka que cansa só de ver - Guardiola tinha de inventar ainda esta para nos tramar.

O princípio dele, que é o mesmo do Barcelona porque foi ele que o criou, parece simples: há uma bola no campo e se nós a tivermos, os outros não a têm. Mas o fim é complicado. E exige trabalho. E concentração. E miolos. Com futebolistas desmiolados (leia-se, Dante), isto seria impossível - e mesmo com tipos como Alonso não é líquido que corra sempre bem (lembrar o Dragão). 

Porque este pós-modernismo de Guardiola é incrível e sedutor mas também é arriscado, sobretudo se do outro lado estiver malta como Messi, Neymar e Suárez. E se se joga com três defesas contra três avançados que não são uns quaisquer, a coisa corre mal. 

É que podemos ter o melhor plano do mundo, infalível e sem buracos, que estes descobrem uma nesgazinha para o golo. Na primeira parte, se não fosse Manuel Neuer em duas espargatas à Peter Schmeichel, o Barcelona teria feito a festa na cara de Guardiola. Não a fez mas fez por merecê-la, usando uma variação sobre o tema tiki-taka (a pressão está lá, mas o jogo é direto e linear e descomplicado) que deixou algumas vezes  Neuer a olhar para o boneco.

Na segunda parte, o Bayern entrou mais composto e disposto a tentar mexer nesta espécie de final antecipada e a espaços lá se chegou à baliza de ter Stegen. Só que naquela relva de Camp Nou está um homem que não é um homem mas um super-mini-homem e que se chama Messi. E, como diz Guardiola, se ele está bem, não há como pará-lo - e o melhor, digo eu, é nem tentar, porque a probabilidade de espalhar à grande é... grande. Como o pobre Boateng, que sofreu uma rasteira imaginária e se estatelou no chão quando Messi fez o 2-0  - antes, o argentino fizera o 1-0; depois, Neymar fez o 3-0, a passe de vocês-sabem-bem-quem.

Há remédio para tudo, menos para Messi.