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Juventus: Para quê cor, quando temos o filme a preto e branco?

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Giorgio Perottino / Reuters

Numa noite à antiga, a Juventus ganhou ao Real Madrid por 2-1 na primeira mão da meia-final da Liga dos Campeões. A Velha Senhora continua matreira e sabida.

O que fazer contra um clube que tem o melhor jogador do mundo que também é o segundo mais caro do mundo (Ronaldo, porque houve marosca no negócio-Neymar); que tem o terceiro jogador mais caro do mundo (Bale); que tem o melhor marcador do Mundial e que marcou o melhor golo do Mundial (James); que tem o melhor jogador da seleção que ganhou o Mundial (Kroos); que tem o recorde de Taças dos Campeões / Liga dos Campeões (são dez, convém não esquecer); e que tem um tipo que ganhou a Taça dos Campeões por duas vezes quando era jogador e três Ligas dos Campeões quando se fez treinador (Ancelotti)? 

Abreviando: o que fazer contra um clube que tem tudo? Jogar tudo e acudir a todo o lado. Com o músculo de Sturaro, o pulmão de Vidal, o coração de Morata, a velocidade de Tevez e o cérebro de Pirlo. Cabeça. Tronco. Membros. E, depois, rezar para que Ronaldo esteja num dia não - e rezar é a palavra certa porque quando Ronaldo não marca, é notícia.

76 golos
Hoje não houve notícia. Ronaldo fez o golinho da praxe [e vão 76 nas competições europeias, mais um do que Messi, que joga esta quarta] e empatou o jogo minutos depois do lance de Moratta (1-1). E, ao intervalo, isto queria dizer muito mais sobre o potencial do Real do que da Juventus, porque os merengues começaram sem Benzema e Modríc (lesionados) e com Sergio Ramos a trinco ou a interior - e foi um desastre em ambos os lugares. 

E durante os primeiros 45 minutos ficou a sensação de que sempre que o Real apertava um bocadinho o ritmo, a Juventus tremia lá atrás. E, no começo da segunda parte, essa mesma sensação voltou a entrar em campo, como um vírus que se espalha se não for travado a tempo. Porque por mais boa vontade que os adversários do Real tenham - e os rapazes da Juve têm-na - há um cantinho dentro de cada um deles que teme que Ronaldo apareça do nada para fazer o de sempre. 

O que fez então a Juventus? Manteve-se firme: defendeu, pressionou, provocou o erro e contra-atacou. Num desses lances, Tevez foi por ali fora e sofreu falta do pobre Carvajal. Houve penálti. E houve golo. E ficou 2-1. O que pode ser mau para o Real, porque. na segunda mão, em Madrid, a Juve, que é velha e é senhora e por isso matreira e sabida, será mais italiana do que os italianos.

  • Frágil, lento, fora do tempo. E ainda bem

    Hoje há Juventus-Real Madrid (TVI, 19h45) e do lado dos italianos estará um médio de 35 anos que desafiou as leis da física (e do físico e do futebol) e fez do trinco um tipo elegante. Pirlo.