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Bayern-FC Porto: o dia em que Jesus encarnou em Julen

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FOTO PETER KNEFFEL/EPA

Uma invenção 'à treinador do Benfica' deixou o FC Porto a descoberto no choque contra o Bayern: 6-1. A aventura portista na Liga dos Campeões acabou com o peso da história. E da realidade, que ultrapassa sempre a melhor ficção.

Pedro Candeias

Ouvi na rádio, porque ainda estava a meio caminho do lugar onde queria chegar. E foi mais ou menos isto que saiu da voz do Ricardo Pateiro, da TSF:

"O FC Porto joga com Fabiano na baliza. E, na defesa, à direita está Diego Reyes, depois Maicon..."

Fiquei-me por ali, porque o resto já se sabia. O FC Porto ia jogar com Maicon, Marcano, Indi, Casemiro, Oliver, Herrera, Brahimi, Quaresma e o agente infiltrado Jackson Martínez. A dúvida, a única dúvida, era saber quem jogaria no lugar de Danilo - e a escolha de Lopetegui foi Diego Reyes.

E quem era Diego Reyes? Um miúdo mexicano, alto e esguio, que fora titular uma vez na Liga, quatro vezes na Taça da Liga, sete na II Liga e jogara uns minutinhos no playoff de acesso à Liga dos Campeões.

E o que era Diego Reyes? Um central que se juntou a outros três centrais (Maicon, Marcano e Indi) e formou um quarteto que nunca seria fantástico - mas estático.

O raciocínio é simples: se os centrais ficam e os laterais sobem, quando há quatro de uns e zero de outros, a equipa encolhe-se lá atrás. E, contra o Bayern de Munique, ficar é definhar numa questão de tempo: o fim chega depressa ou devagar, mas chega sempre.

É o que diz António Oliveira. 

E o FC Porto sabia disso, até porque na 1ª mão fizera o inverso, martelando o adversário até as pernas não aguentarem mais. Só que a culpa não é de Reyes mas sim de quem o pôs lá; e quem o pôs lá reconheceu o erro quando o substituiu por Ricardo, que é extremo, sim , mas que sempre foi lateral no FCP. Lopetegui queimou uma alteração e afogou um rapaz, que se viu no meio do alto mar quando estava habituado a andar de braçadeiras.

Só que ao minuto 33 já estava 3-0 e a eliminatória virada do avesso para o FC Porto. Basicamente, era tarde de mais quando o jogo ainda ia cedo e esta eliminatória será sempre contada a partir deste capítulo 'à lá Jorge Jesus' - é lembrar 'David o-melhor-amigo-de-Suárez Luiz' a jogar a lateral em Liverpool ou contra o FCP.

Cheirando a fraqueza e sendo alemães como só os alemães sabem ser, os bávaros não descansaram até à humilhação: o intervalo chegou com 5-0, com golos de Alcântara, Boateng, Lewandowski, Müller e outra vez Lewandowski.

Neste contexto, a segunda parte ia ser assim: o Bayern de Munique ia descansar e dar a bola ao FC Porto; e o FC Porto ia entregá-la de volta, porque também queria descansar o corpo por ter a cabeça no clássico da Luz. Dito de outra forma, o jogo ia ser tosco. E foi.

Julen Lopetegui entrou em regime de conta poupança e só Jackson Martínez e Ricardo (irónico, não?) mantiveram o crédito da equipa portista na Champions League naquele golinho solitário que não esconde uma derrota com o peso da história. E da realidade.

E a realidade ultrapassará sempre a melhor ficção.