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Vítor Pereira. "Vai ser a agressividade do Porto contra a posse do Bayern"

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Vítor Pereira foi campeão nas duas épocas que passou no Porto e está prestes a ser campeão da Grécia, pelo Olympiakos

FOTO RUI DUARTE SILVA

Foi treinador do Porto, defrontou o Barcelona de Pep Guardiola na Supertaça Europeia e passou uma semana de "troca de experiências" no Bayern de Munique. Quem melhor do que Vítor Pereira para explicar o que vai ser o FC Porto-Bayern desta noite?

Vais ver o jogo?
Tenho jogo amanhã mais ou menos a essa hora [com o Panthrakikos] e é decisivo, jogamos amanhã e domingo e precisamos de quatro pontos para sermos campeões. Portanto não devo conseguir ver.

Como é que se resolve um jogo entre duas equipas que jogam da mesma maneira?
Bom, não é bem a mesma coisa... [risos] Há alguns comportamentos que são semelhantes, nomeadamente a forte reação no momento de perda da bola. Os treinadores querem que ambas as equipas procurem estar sempre altas no campo e façam pressão imediata em cima para não deixar o adversário jogar. O Bayern tem a componente da posse muito enraizada, não tem pressa para atacar e espera o momento certo, vai mantendo a bola o tempo que for preciso pelos três corredores. O FC Porto não é tanto assim. Circula muito em largura, sim, mas ataca o mais depressa possível, quando pode. Procura desequilíbrios, essencialmente nos corredores laterais, com cruzamentos, movimentos interiores e situações de um para um.

FOTO MIGUEL VIDAL/ REUTERS

O Bayern vai ter dificuldades?
O FC Porto vai colocar problemas porque é uma equipa muito agressiva sobre a bola. O Bayern gosta de jogar com as linhas bem altas, no meio campo adversário, e o FC Porto vai procurar contrariar isso e no momento de transição pode ser muito perigoso, com espaço, porque rapidamente faz variações de corredor para corredor. Vai ser a agressividade do FC Porto contra a posse do Bayern.

Só há uma bola...
O Bayern vai tentar ter sempre bola mas o FC Porto também, se conseguir o tipo de circulação que faz, com variações rápidas de corredor e o Jackson na frente...

Esquece, o Jackson não vai jogar.
É verdade, já não me lembrava. Bom, o Aboubakar não tem as mesmas características do Jackson mas também tem qualidade para ganhar espaço e segurar a bola. O Bayern também tem várias baixas, certo?

Benatia, Alaba, Javi Martinez, Schweinsteiger, Robben e Ribéry.
O que é importante é o FC Porto conseguir impor a sua identidade, ainda por cima o jogo é em casa e o Dragão é um estádio muito forte.

FOTO KAI PFAFFENBACH/REUTERS

Como é que abordaste o jogo do teu FC Porto contra o Barcelona de Guardiola na Supertaça Europeia, em 2011?
Como abordo qualquer jogo. Acredito sempre no que é a nossa identidade, sem mudar nada. Na altura o que trabalhávamos há meses - e na época anterior com o André [Villas-Boas] - era pressionar alto e não ia mudar isso. Não ia deixar o Barça confortável no seu jogo, porque se não íamos andar a correr atrás da bola o jogo todo e não lhes colocávamos problemas. Acabámos por perder...

Aquela bola do Guarin...
Uma bola daquelas no Messi só com o guarda-redes pela frente... E depois levámos o 2-0 já com um jogador a menos. Se com onze já era o que era... [risos]. Mas isto tudo para te dizer que não podemos alterar a identidade da nossa equipa, se não é o descalabro total. E do que tenho visto do FC Porto e do Lopetegui acho que vai tentar jogar e pressionar como faz sempre.

O Guardiola é uma referência para ti?
Não tenho referências. É claro que o admiro, mas é se me perguntas se gosto de ver as equipas dele jogar. Isso gosto muito. Gosto de equipas que gostem de ter a bola, que tenham ideias, que sejam inovadoras. Não admiro personalidades, por assim dizer, porque treinadores tanto há uns mais maluquinhos como outros mais direitinhos.

FOTO KAI PFAFFENBACH/REUTERS

Passaste uma espécie de estágio no Bayern, quando estavas sem equipa. Que tal?
Foi uma troca de experiências. Não discuto futebol com muitas pessoas, porque para me entenderem bem têm de estar num nível alto de conhecimento, em que entendam até os pormenores. E eu gosto de falar com quem entende os pormenores, como é o caso do Guardiola, mas também podia ser o caso de outros, como o Mourinho, por exemplo, se isso se proporcionasse. Almoçámos, trocámos ideias, discutimos... O que posso dizer é que ele é muito boa gente. É um apaixonado pelo jogo. E quando dois apaixonados pelo jogo se juntam e começam a falar... nunca mais param [risos].

Tens noção que foi preciso vir um treinador espanhol para dizermos que o FC Porto joga em posse quando o FC Porto de Vítor Pereira já era claramente uma equipa de posse?
[risos] O que queres que te responda a isso? Vai ver as percentagens de posse de bola do meu Porto e as oportunidades de golo criadas. Só que eu não nasci para fazer amigos, nasci para competir, é disso que eu gosto. Depois daquela situação da invasão de campo aqui na Grécia tive 30 chamadas de jornalistas durante três dias seguidos e não atendi ninguém. Gosto de estar na minha.

Foste massacrado nessa situação. Foste lá ao pé da bancada provocar os adeptos do Panathinaikos?
Epá... Eu quando entro num estádio e não o conheço vou sempre ver. Vou ver como está a relva, vou ver se as áreas estão em condições porque gosto que a minha equipa saia a jogar, vou contar os passos entre a linha da área e a linha lateral para perceber a largura do campo, vou ver o aquecimento do guarda-redes adversário para ver como é que ele cai... Eu é que estou errado? Não posso fazer o meu trabalho? Isto é uma provocação? O que se passou foi que entrou um mascarado no campo e ele pensava que eu ia fugir com medo, mas enganou-se. Nem vale a pena irmos mais por aí.