O secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, considerou hoje que a política de austeridade teve "um novo impulso suicidário" com a assinatura do acordo de concertação social.
"Pode parecer um exagero o que vou expressar, mas é um facto que a política de austeridade teve um novo impulso suicidário com o recente acordo de concertação social", disse o secretário-geral da Intersindical na abertura do XII Congresso da CGTP, hoje iniciado em Lisboa.
Carvalho da Silva referiu que o acordo tripartido assinado na semana passada entre o Governo, confederações patronais e UGT "foi feito num contexto de rápido agravamento da situação do país".
Repulsa pelo acordo alcançado
De acordo com o ainda secretário-geral da Intersindical, o "âmago" do acordo "não é o estímulo da economia mas o reforço da austeridade, a diminuição da retribuição e a desregulamentação do trabalho, um retrocesso social sem precedentes depois do 25 de abril".
Ou seja, o acordo tripartido, que deixou de fora a CGTP, "é um acrescento de medidas restritivas", referiu.
"Este acordo merece-nos repulsa", exclamou Carvalho da Silva, sublinhando que "estava confirmado que o acordo seria um desastre" e "este não é lei".
Por isso, a CGTP promete continuar a lutar contra os "ataques aos trabalhadores". "Uma organização sindical pode e deve ter presente o contexto de ataque e tentar agir, mas nunca sancionar medidas que só vão contra os trabalhadores e o povo", disse Carvalho da Silva, que acusa o patronato e a troika de serem "insaciáveis".
Discurso muito aplaudido
Perante uma plateia composta por mais de um milhar de sindicalistas, reiterou que "este acordo acabou por se resumir às mexidas na legislação laboral" e apelou à participação da manifestação nacional de 11 de fevereiro.
Após fortes aplausos, prosseguiu: "Dois dias depois da assinatura do acordo, vem um elemento da troika dizer que é preciso ressuscitar o debate para a taxa social única (TSU), o que já merece o acordo do patronato".
Ora, "o sentido deste acordo e com que nos querem impor mais austeridade merece uma resposta da nossa parte", frisou ainda, lembrando que o recuo da 'meia hora' por parte do Governo é uma vitória para os trabalhadores que o conseguiram através da luta.
A CGTP não aceita, acentuou, a redução das férias, do número de feriados que são um sinal "da falta de ética e de verdade" do Governo e dos patrões, nem a redução dos salários.