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Desembarque na Normandia: A batalha das praias no cinema

O desembarque aliado de há 65 anos foi a maior operação aeronaval da História. O Dia-D confirmou que a II Guerra Mundial estava perdida para as potências do Eixo e o cinema fez numerosos filmes e eternizar a operação, eis os principais. (Com vídeos)
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O Resgate do Soldado Ryan é um dos filmes que retrata com maior realismo o desembarque na Normandia

Depois de terem desembarcado com sucesso no Norte de África, na Sicília e em Itália, faltava aos Aliados a operação decisiva: o desembarque em França. Com homens e material concentrados na Grã-Bretanha, só havia duas zonas possíveis para o ataque, caso se quisessem evitar deslocações demasiado longas da frota que alertariam o inimigo: Pas-de-Calais, na zona mais estreita do Canal da Mancha, ou a Normandia e a Bretanha mais para oeste.

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A primeira hipótese reduzia a viagem mas caía na zona mais bem defendida da costa; a segunda alongava o trajecto mas podia surpreender as defesas costeiras. Mas, mesmo na Normandia, praias e portos estavam fortificados, minados e cobertos por artilharia e armas automáticas. A construção da Muralha do Atlântico tinha sido dirigida por um dos maiores generais alemães, Erwin Rommel, a grande figura da Guerra no Deserto. Mas Rommel que, além do mais, não era um incondicional de Hitler (suicidar-se-á mais tarde, na sequência do falhanço do atentado contra o fuhrer), sabia que, ou conseguia contra-atacar com blindados nas primeiras horas do desembarque, ou a avançada anglo-americana seria irreversível.

Os Aliados montam uma habilidosa campanha de contra-informação que, até ao final, convenceu alto-comando alemão, Hitler incluído, de que o desembarque seria em Calais. Com o apoio da Resistência, as defesas costeiras são referenciadas e cartografadas.A Operação Overlord, assim se chamou a maior campanha aeronaval de todos os tempos, será sucessivamente adiada devido a um mês de Junho anormalmente tempestuoso. Ironicamente esse adiamento vai levar a que os combates comecem com Rommel fora da Normandia e o estado-maior alemão reunido longe da frente para uma simulação ... do esperado desembarque.

A operação dividia-se em duas partes: a ocupação dos cruzamentos, aldeias e pontes estratégicos da vizinhança das costas por tropas aerotransportadas, na madrugada de 6 de Junho e, ao alvorecer, o desembarque, após preparação de fogo pela frota, em cinco praias, três anglo-franco-canadianas (designadas pelos nomes de código Gold, Juno e Sword), a leste, e duas norte-americanas (Omaha e Utah) a oeste.

Os anglo-canadianos tinham tirado lições do fracassado raid à cidade costeira de Dieppe dois anos antes e, graças ao engenho do major Hobbart, apresentam uma impressionante panóplia de equipamentos de apoio ao desembarque, desde tanques anfíbios, a veículos lança-pontes, rebenta-minas, neutralizadores de bunkers, lança-chamas, etc. Os "brinquedos de Hobbart", assim depreciativamente designados pelos comandos norte-americanos, salvaram milhares de vidas nas praias anglo-franco-canadianas e a penetração para o interior e o estabelecimento de cabeças-de-ponte foi rápida.

A sorte e o azar marcaram os desembarques dos EUA. Uma forte corrente desviou as barcaças para fora da praia de Utah e a primeira vaga de desembarque chega a terra numa zona mais mal defendida que a de origem. Em "O Dia Mais Longo" esta cena é ilustrada pelo encolher de ombros do brigadeiro-general Theodore Roosevelt Junior: "Assim como assim, se havíamos de começar a guerra noutro lado, começamo-la já aqui..."

Em Omaha a sorte é madrasta. A guarnecer os fortins costeiros estão, desde há dias, veteranos alemães, para ali deslocados para repouso longe da frente. Os tanques flutuantes, únicos equipamentos de Hobbart em que os chefes norte-americanos tinham alguma fé, afundam-se devido à agitação do mar. Num cenário a evocar os piores dias da I Guerra Mundial, a primeira e a segunda vaga de assalto são massacradas pela artilharia e pelas metralhadoras (reveja-se, a propósito, a cena de abertura do "Resgate do Soldado Ryan"). Apoiados pelo fogo dos contra-torpedeiros que quase encalham na areia, os Rangers avançam penosamente encorajados pelos gritos do coronel George Taylor: "Nesta praia só vão ficar dois tipos de homens: os mortos e os que vão morrer". Através de brechas abertas pela artilharia da frota e pelos sapadores, os norte-americanos conseguem, finalmente, sair da praia, ao fim da tarde.

Entretanto, no interior, a poucos quilómetros das praias, reina o caos. Os pára-quedistas e comandos anglo-americanos estão dispersos, quase todos longe dos seus objectivos. Mas do lado alemão, a confusão é semelhante, agravada pelas sabotagens da Resistência e pela presença constante dos caças-bombardeiros aliados que impedem os blindados inimigos de se deslocarem à luz do dia.

A supremacia aérea aliada é de tal ordem que só dois caças alemães solitários fazem uma passagem sobre as praias onde os ingleses desembarcam, disparando algumas rajadas simbólicas para salvar a honra da Luftwaffe.

Quando, dia 6 de Junho, o sol se põe sobre as costas da Normandia é evidente que o desembarque, embora não tendo atingido a maior parte dos objectivos fixados para o Dia-D, resultou. É o crepúsculo do nipo-nazi-fascismo.

O DIA MAIS LONGO


O DIA MAIS LONGO, de Ken Annakin, Andrew Marton e Bernhard Wicki (EUA, 1962). É, provavelmente o mais conhecido filme sobre o desembarque na Normandia que marcou o avanço final das tropas aliadas sobre o 3º Reich. Superprodução encabeçada por um dos míticos velhos produtores de Hollywood - Darryl F. Zanuck - "O Dia Mais Longo " pretende contar a história quer do ponto de vista aliado, quer do ponto de vista alemão, numa operação de pacificação e consenso que, em 1962, já pareceu possível. Três realizadores (um dos quais germânico), dezenas de grandes vedetas, o esplendor de cópias em 70 mm e meios impressionantes fizeram da fita uma referência absoluta e consensual - um filme de produtor como quase nunca mais se fez. Mas é também consensual que este filme grande em todos os aspectos não conseguiu ser um grande filme.

O RESGATE DO SOLDADO RYAN


O RESGATE DO SOLDADO RYAN, de Steven Spielberg (EUA, 1998). Em matéria de realismo, este é o filme que põe o espectador, literalmente, dentro das barcaças e, depois, em turbilhão, despejado em Omaha Beach no meio das tropas aliadas que avançavam, penosa e lentamente, metro a metro, sobre os cadáveres dos soldados da vaga anterior... Numa boa sala de cinema - ou, lá em casa, com o Dolby 5.1 do leitor de DVD e os altifalantes devidamente posicionados - as balas passam-nos mesmo por cima e os corpos caem na água ali mesmo ao nosso lado. Nunca a alucinação da guerra foi filmada com o frémito que Spielberg conseguiu. Comparados com "O Resgate do Soldado Ryan " todos os outros filmes figurando o desembarque da Normandia são pálidos em matéria de sangue e de horror. E há nele um heroísmo feito de ganas e de instinto de sobrevivência absolutamente inesquecível.

O SARGENTO DA FORÇA 1


O SARGENTO DA FORÇA 1, de Samuel Fuller (EUA, 1980). Não é um filme sobre o Dia D mas sobre a Primeira Divisão de Infantaria do exército americano - onde o próprio Fuller combateu - que esteve no Norte de África, na Itália, no desembarque da Normandia e foi, pela Bélgica, até ao coração da Alemanha e à libertação dos campos de concentração no esmagamento do poder nazi (a sequência da descoberta dos campos fica indelével na memória). "O Sargento da Força 1 " narra essa saga - é um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos - onde o Dia D tem uma posição essencial (uma das cenas mais poderosas do filme pertence, aliás, a esse segmento, quando o sargento vai chamando sucessivos soldados para substituir os que vão caindo). O absurdo da guerra - e a luta pela sobrevivência - são os seus temas, mesmo quando as guerras são justas.

ALVORADA DE UM SOLDADO


ALVORADA DE UM SOLDADO de Stuart Cooper (Reino Unido, 1975). Pode-se olhar um vento tão largo como a guerra de um ponto de vista estritamente individual? Pode - e foi o que Stuart Cooper fez em 1975 neste filme notabilíssimo em que seguiu a vida de um jovem britânico convocado para o exército, treinado e lançado na primeira vaga que desembarcou na Normandia no Dia D. É um filme sobre o desaparecimento do indivíduo numa máquina que tem uma escala de tal maneira grande que é quase preciso que cada um diminua a sua alma para que o colectivo a possa ter. "Alvorada de um Soldado " tem ainda a particularidade de usar verdadeiros documentos filmados da guerra (cedidos pelo Imperial War Museum) no interior da ficção - num trabalho de fotografia e de montagem de primeira água que praticamente torna indistinta a origem do que vemos.

6 DE JUNHO, DIA D


6 DE JUNHO, DIA D, de Henry Koster (EUA, 1956). Apesar do título indiciar que se trata de um filme sobre os eventos de 6 de Junho de 1944, de facto esta fita de Henry Koster só os aborda lateralmente. O tema central deste filme é um triângulo amoroso entre uma jovem inglesa, um oficial americano e outro inglês. Ambos estão apaixonados pela mesma mulher que está indecisa com qual dos dois ficar, ambos estão agora a caminho da Normandia integrados numa operação de comandos que será um prelúdio ao desembarque massivo das tropas aliadas. Será que a sorte no campo de batalha vai ditar o desfecho da história de amor? É essa a pergunta que todos fazem quando a operação militar começa - já nos minutos derradeiros da fita. Um exemplo típico de muitos filmes que foram realizados em que o Dia D é matéria decisiva, mas em que há mais vida para lá da guerra.


Opinião


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