25/05/2012 atualizado às 0:46

Descolar de Lula é difícil. Será desejável?

Dilma Rousseff não quer ser vista como mera marioneta do seu antecessor, mas mantém as prioridades daquele, que lhe garantiram êxito. O analista Joseph Nye recomenda prudência na política externa.

Pedro Cordeiro (www.expresso.pt)
16:27 Terça feira, 2 de novembro de 2010
Dilma Rousseff e Lula da Silva celebram a vitória nas eleições 2010
Dilma Rousseff e Lula da Silva celebram a vitória nas eleições 2010
Ricardo Stuckert/Reuters

Eleita há dois dias, a nova Presidente do Brasil - que só tomará posse em janeiro - empenha-se em mostrar que não é apenas uma sombra do seu antecessor e apoiante Luiz Inácio Lula da Silva. Um desafio complicado, a julgar pela imprensa brasileira, que viu no triunfo de 31 de outubro (por 56% contra os 44% do social-democrata José Serra) uma vitória de Lula, quase sem mérito da própria candidata do Partido dos Trabalhadores.

Os primeiros sinais de Dilma não contribuem, porém, para a autonomia que almeja. A sua prioridade máxima é a de Lula: erradicar a pobreza, que hoje afeta 21 milhões de brasileiros. A vontade de controlar a despesa pública em nada prejudicará os programas sociais, prometeu no discurso da noite eleitoral. Recorde-se que Lula tirou 20 milhões de cidadãos da pobreza e elevou 30 milhões à classe média.

Brasil depende dos brasileiros


Dilma avisou que a economia do Brasil só crescerá se for puxada pelo próprio país, "com as nossas próprias políticas, o nosso próprio mercado, a nossa própria pujança e as nossas próprias decisões económicas". A Presidente-eleita pensa que o resto do mundo, imerso na crise, não poderá ajudar. O economista americano Joseph Nye concorda: "O caminho para o Brasil se fortalecer é doméstico. Se eu fosse o próximo Presidente, empenhar-me-ia aí", afirmou numa entrevista ao diário "Folha de São Paulo".

A Presidente rejeita, porém, tentações protecionistas. Promete manter aberto ao mundo o Brasil, que aliás tem criticado o protecionismo das nações mais ricas nos debates da Organização Mundial do Comércio. A estabilidade monetária é outra preocupação da nova Chefe de Estado, para quem "a lavagem de dinheiro e a especulação desmedida aumentam a volatilidade das moedas". Dilma defende regras para pôr fim à instrumentalização das divisas em guerras cambiais que podem fazer subir o real.

Pisando gelo fino no Irão


Nye mostra-se otimista e desvaloriza a alegada falta de carisma de Dilma. "Se mantiver as políticas que vimos na última década, o Brasil continuará sendo visto como um país importante." Mas a popularidade do atual Presidente pode, na opinião de outros, ser um entrave à afirmação de Dilma. "Inevitavelmente, ela decepcionará. Após dois mandatos, Lula tem o status de uma entidade divina no país", afirma o diário londrino The Guardian num editorial.

A apresentação internacional de Dilma terá lugar na cimeira do G20, em Seul, nos próximos dias 11 e 12. Ali acompanhará Lula, devendo os dois participar, antes da reunião, na inauguração de uma fábrica de medicamentos antirretrovirais em Moçambique.

Para o perito americano, a colagem a Lula será positiva para uma dirigente pouco conhecida no globo. Deverá, porém, evitar erros cometidos pelo seu mentor, como a aproximação ao Presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad. "Lula anda sobre gelo fino com o Irão. Ela, se andar sobre gelo fino, afunda", alerta. O diário Financial Times também se preocupa com o futuro do país: "O Brasil sem Lula pode ser tornar mais turbulento e menos popular, mas isso também poderia mostrar que o país está a tornar-se mais aberto, democrático e maduro".

Ministros ainda em segredo


Só quando regressar de viagem é que Dilma deverá anunciar os nomes dos seus ministros, dado essencial para configurar o novo equilíbrio de poderes. Um nome que todos esperam ouvir é o de António Palocci, que foi ministro das Finanças de Lula no primeiro mandato. Médico, economista e ex-trotskista, foi chefe de campanha de Dilma.

Outros ministeriáveis são Henrique Meireles, diretor do Banco Central, que manifestou vontade de trocar tal cargo por uma pasta governamental; Guido Mantega, atual titular das Finanças; Luciano Coutinho, antigo professor de Dilma e líder do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES).


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águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 21:32 | Terça feira, 2 de novembro de 2010
Lula por perto-não vem nenhum mal ao Mundo.Mas Dilma,agora é a Presidente.Os dois saberão encontrar o melhor rumo para o desenvolvimente dessa Pátria Irmã que é o Brasil.
 
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Dilma
ERA 2009 (seguir utilizador), 1 ponto , 21:13 | Terça feira, 2 de novembro de 2010
Se descolar de Lula, a quem deve a vitória cometerá um erro que em matéria de popularidade, nos primeiros meses pode sair-lhe cara essa atitude...
Por outro lado, se o não fizer pode afirmar-se como não dependente de Lula da Silva e trilhar o seu próprio percurso.
E quem sabe até vir a superá-lo ?
Depende só de si !
 
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Dilma
ERA 2009 (seguir utilizador), 1 ponto , 9:47 | Quarta feira, 3 de novembro de 2010
Mas quer queira quer não, de momento não passa de uma marioneta de Lula da Silva.
A ele deve a sua vitória, mas tem descolar dele, senão acabaá por se tornar numa política banal
E tem uma missão ciclópica pela frente.
Como a vai enfrentar ?
 
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As FALÁCIAS de Pedro Cordeiro
VISCOPE (seguir utilizador), 1 ponto , 12:08 | Quarta feira, 3 de novembro de 2010
Já uma vez tive oportunidade de comentar um texto de PC quando intitulou seu artigo como se fosse uma derrota do PT o fato de o PSDB ter ganho mais governadores nestas eleições.
Além de falsear a verdade: O PSDB e o DEM (parceiros) obtiveram sucesso em 10 Estados, mas o PT (mais os aliados PMDB e PSB) ganhou 16!
E pior: não salientou o sucesso de Dilma no Senado e no Congresso onde ganhou uma confortável maioria, o que me parece muito mais relevante num governo presidencialista como o do Brasil.

Agora vem com o verbo DESCOLAR para sugerir que Dilma deverá se afastar de Lula para melhor governar.
Falácia pura confundir Descolar com Trair e nem mesmo com Afastar-se.
Claro que Dilma venceu com o apoio de Lula e com o prestigio deste (o que acontece em quase todas as eleições, como Serra tentou se colar a Aécio para obter mais votos) mas a vitória foi muito dela: de sua feminilidade, de sua competência admnistrativa e de sua sistemática gratidão , o que faz bastante falta no quadro politico português onde cada politico emergente esquece e desvaloriza quem lhe deu a mão para singrar.

Finalmente e porque estou vivendo o desenrolar destas eleições ao vivo discordo com a afirmação do PC quando diz que "Os primeiros sinais de Dilma não contribuem, porém, para a autonomia que almeja." pois pelo que acabei de escrever e muito mais acho exatamemte o contrário: sem ingratidão nem arrogância Dilma mostrou que sabe quem a levou ao topo mas mostra que sabe o que QUER e VAI FAZER!
 
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    Re: As FALÁCIAS de Pedro Cordeiro    Ver comentário
Dunca (seguir utilizador), 2 pontos , 12:39 | Quarta feira, 3 de novembro de 2010
    Re: As FALÁCIAS de Pedro Cordeiro    Ver comentário
VISCOPE (seguir utilizador), 1 ponto , 20:38 | Quarta feira, 3 de novembro de 2010
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