Deputado do PS indignado com as greves na CP
"Isto é inadmissível!". É assim que Ricardo Gonçalves classifica a atual vaga de greves na CP.
Ricardo Gonçalves viajou na companhia do antigo presidente da Assembleia Municipal de Braga, o socialista António Sousa Fernandes (à esquerda)
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O deputado do PS Ricardo Gonçalves classifica de "inadmissíveis" as greves diárias na CP no momento em que o PEC 4 admite privatizar os comboios, e alerta os maquinistas de que terão os utentes contra eles. "A CP, a REFER e o Metro não têm capacidade de endividamento", segundo o deputado.
Falando em exclusivo ao Expresso durante a viagem num suburbano entre Braga e o Porto, cidade onde esperava apanhar o Alfa para Lisboa, Ricardo Gonçalves, após ouvir as queixas dos utentes, afirmou que "os maquinistas não têm razão nenhuma".
Segundo o deputado socialista, "os maquinistas estão a causar problemas sérios às pessoas, que muitas vezes vejo desesperadas, porque desorganiza completamente a vida aos cidadãos e há casos de comboios que só se sabe dez minutos antes se irão ou não partir, o que é muito mais grave", disse ao Expresso Ricardo Gonçalves.
"Toda a gente que trabalha no Estado ou nas empresas públicas, ganhando mais de 1500 euros, sofreu cortes nos salários e então tínhamos que paralisar o país", salientou.
Privatização dos suburbanos
Ricardo Gonçalves alerta que "no PEC 4 está previsto privatizar já a partir de junho os comboios suburbanos e o que acontece assim é que mesmo aqueles que defendem os comboios no setor público perdem a razão pela atitude destas greves".
"Os maquinistas não percebem que estão a perder apoios na opinião pública, para uma luta que é mais importante para eles e que é a questão da privatização da CP e em especial dos comboios suburbanos, que são aqueles que têm mais gente e interessam aos privados", acrescentou o deputado do PS pelo Círculo Eleitoral de Braga.
"Eu aceito perfeitamente a privatização de alguns comboios suburbanos - mas não da CP -, mas reconheço que se o comboio está bem e a dar lucro, não há necessidade de o privatizar, só que toda a gente tem de contribuir para que isso aconteça", destacou o deputado socialista minhoto.
"No tempo em que a Rodoviária Nacional era do Estado havia sempre lá greves, mas desde que foi para os privados nunca mais houve graves", exemplificou Ricardo Gonçalves. "E essa situação nem estava bem quando era do Estado, nem agora que é dos privados, porque muitas vezes os seus trabalhadores até têm razão", destacou Ricardo Gonçalves.
"Há, hoje em dia, exploração na antiga Rodoviária Nacional, em que os motoristas têm serviço nas horas de ponta, mas depois estão o resto do dia sem ganhar nada e às vezes somando as horas de ponta nem o salário mínimo lhes dá".
"Somos um país de excessos, passamos do 8 para o 80, em que os que mais protestam são os que estão menos mal, porque os que estão pior não podem reclamar, já que não têm trunfos nem possibilidades de reclamar", acrescentou ainda Ricardo Gonçalves. "E isso reflete-se nestas últimas manifestações que tem havido [da Geração à Rasca] e mesmo no voto, porque os Governos estão preocupados com os votos dos funcionários públicos e dos reformados, já que em todos os países democráticos são eles quem mais votam".
Dívidas gigantescas
"A CP, a REFER e o Metro já não têm capacidade de endividamento, mas o Estado é que vai cobrir isso, quando a dívida das empresas públicas é de 31 mil milhões de euros", destaca o parlamentar socialista ao Expresso.
"Se mudar o Governo isso vai entrar tudo na dívida pública, que ficará para aí nos 120%, em vez dos atuais 85%, porque um próximo Governo faz isso para culpar este Governo", garante o deputado, que fazia ontem a viagem Braga-Porto acompanhado do padre António Sousa Fernandes (PS), antigo presidente da Assembleia Municipal de Braga.
"Para se perceber o que devem as empresas públicas em Portugal e onde a maioria é de transportes, basta dizer que nós recebemos até 2013 da União Europeia neste quadro comunitário de apoio €21 mil milhões", disse Ricardo Gonçalves, considerando "números assustadores" e que "dão uma ideia daquilo em que estamos metidos".
"E depois eu quero ver o bonito, quero ver como vamos negociar a nível internacional os empréstimos e onde param as taxas de juro", remata Ricardo Gonçalves.


