O lugar de Fréderic Mitterand
no Governo francês está por um fio. O Ministro da Cultura de Sarkozy poderá mesmo ser obrigado a apresentar a sua demissão, na sequência da denúncia de que "pedófilo e degenerado".
A acusação foi feita por Marine Le Pen, filha do presidente da Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen
. Em causa está o livro 'Má Vida' que o ministro lançou há quatro anos onde relata episódios de turismo sexual com rapazes na Tailândia.
O porta-voz do PS francês, Benoit Hamon, já se juntou ao partido nacionalista e questiona mesmo se o ministro tem capacidade para continuar no cargo.
A polémica, que poderá obrigar o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, a alterar o seu Governo foi desencadeada após Fréderic Mitterrand ter manifestado apoio incondicional a Roman Polanski
. Recorde-se que o realizador foi preso a 26 de Setembro na Suíça, por violação de uma rapariga de 13 anos, crime cometido em 1977.
Marine Le Pen critica o sobrinho do falecido Presidente socialista François Mitterrand pela maneira desavergonhada com que "protege o violador de uma menor".
Reprova-o também por ter escrito um livro em 2005 - que o ministro nega ser autobiográfico mas admite estar entre a ficção e a realidade - no qual relata a "enorme excitação" de frequentar o mercado de prostitutos e o prazer que despertava nele procurar os rapazes para o satisfazer os seus desejos.
O caso está a atingir enormes consequências políticas - a ponto de o Ministro da Educação francês, Xavier Darcos, defender que o ministro Mitterrand deve explicar-se e demarcar-se daquilo que escreveu no livro.
À cadeia de televisão TF1, Mitterrand declarou: "Não é de forma nenhuma uma apologia do turismo sexual. Condeno o turismo sexual que é uma vergonha, condeno a pedofilia em que nunca participei".
"É um erro, sem dúvida, não um crime, nem sequer uma falta", disse ainda, interrogado sobre o relato de episódios de turismo sexual contidos na sua obra.
Miterrand disse também que "jamais" teve a intenção de demitir-se e que tem a confiança do presidente Sarkozy.