23 de maio de 2013 às 21:41
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Delito flagrante, não flagrante delito

António Tavares-Teles (www.expresso.pt)

Bitaites


Coitado do príncipe Carlos, ensanduichado entre a mãe e o filho! É bem caso para dizer que não foi ele que passou ao lado da História mas a História ao lado dele.

1. José Fonseca e Costa foi assaltado e barbaramente agredido por uma mulher e um homem, em pleno Bairro Alto, a alguns metros de casa. O homem escapuliu-se, a mulher foi detida mas, logo no dia seguinte, libertada sob o doce regime de "termo de identidade e residência" - quer dizer, com a obrigação de apresentar-se uma vez por semana à autoridade.

Porquê? Presumo que porque apenas houve delito flagrante, não flagrante delito. Mas pelo visto é assim que as coisas se passam por cá.

Entretanto, o cineasta, esse, ficou detido mais tempo: na cama, a recompor-se dos golpes e do susto. E do espanto, já agora, perante um crime que, nas nossas esquadras, toma o nome de "ocorrência". Ora uma "ocorrência", para além de ser banal, é coisa afinal tão pouca ...

2. Antes de o Euro começar, confesso que já estou farto dele e do circo mediático, promocional e mesmo publicitário que foi montado em volta da selecção. É certo que, se olharmos com algum realismo para o que (penso eu) nos espera, ao menos que os festejos tenham (e tenham tido) lugar antes do primeiro pontapé na bola do jogo com a Alemanha, de forma a que os sponsors e outros investidores, entre eles a própria comunicação social, que assim se farta de vender papel, tenham desde logo assegurado o máximo de retorno possível... Mas lá que tanta euforia (muito menos desportiva que mercantil) enjoa, isso enjoa.

3. Mais um anti-tabagista primário, um sec. Estado do qual sinceramente nem fixei o nome, de tal forma me irrita este cortejo de fanáticos, sempre com o famigerado dr. George à frente, querendo obrigar os fumadores a ser membros da seita que, talvez na esperança de entrarem na História, fundaram. Felizmente que, entre outros até Paulo Rangel (do PSD, como se sabe) vem - na sua crónica semanal no "Público" - louvar o CDS por este ter mostrado "razoabilidade e apego aos direitos fundamentais ao opor-se à nova deriva anti-tabagista governamental". Uma deriva que, tal como a deriva promocional-publicitária em torno da selecção, também jé enjoa. Vai um bom habano, dr. George e companhia?


Bicuaites

1. Um ano de Governo-Passos Coelho.

Pacheco Pereira:

"(O Governo precisa de uma nova margem de negociação) e tem-na porque tal advém do cumprimento do défice, mas não tem legitimidade para reclamá-la ao afirmar que cumpre porque é bom".

Para a troika, este Governo não é bom: é bom-bom.

2. Ainda Pacheco Pereira:

"O Governo assegurou os resultados da troika agravando os impostos brutalmente, no limite do confisco".

Justamente: com Fisco.

3. António Pires de Lima:

"Com o desemprego em 15 ou 16% a coesão social pode estar comprometida".

Coesão social?!!! Mas que raio de linguagem tão esotérica para gente tão simples como o pessoal da troika, Passos Coelho, Vítor Gaspar, etc. etc.

4. João Cravinho:

"Uma taxa de desemprego alta é boa para o Governo".

O nosso mal, creio eu, é que devemos ter população indesejada e em demasia. Que pena pois não podermos introduzir na Europa o método-Hitler, tão eficaz ...

5. Do "Público":

"Passos diz que 'não prepara baixas de salários', Gaspar afirma que corte de custos 'é inevitável'".

Mas no final de contas, para além de Relvas é claro, quem é oposição a quem?!

6. Ainda do "Público": "Primeiro-ministro considera que 'os portugueses já não estão perante o abismo'".

Terão dado o passo em frente?

7. António Correia de Campos:

"A troika gosta de nós".

Então, é que somos piores do que eu pensava.

8. Título do "Correio da Manhã": "Governo cria nova comissão".

Estou como o andaluz: ya éran pocas, parió l'abuela.

9. "Público/ Economia":

"Oficinas de automóveis estão a registar quebras de 10% nas reparações".

E dizer que antes, quando havia quebra nas vendas de automóveis, havia aumento nas reparações ... Bons tempos!

10. "Mais um país à beira de pedir resgate: o Chipre."

Tem lógica: alguns países sequestram a economia e pedem o respectivo resgate. Bate certo, sim senhor.

11. "Público", mais uma vez:

"Espanha apela ao socorro da zona euro para os bancos".

Comam de pé.

12. "Correio da Manhã":

"Luís Figo não quer comparar gerações".

Por uma vez gentil, o ex-jogador.

13. Cristiano Ronaldo:

"Se tivesse uma mala de dinheiro, apostava em Portugal e na Espanha".

Peça emprestado.

14. "Correio da Manhã":

"Cinco homens que se candidataram a ser estrelas pornográficas falharam no teste por falta de erecção".

É, estas coisas são melhores para as mulheres. Aliás, como já dizia um velho bruxellois meu amigo, com alguns copos mas com toda a razão: é sempre mais fácil manter a boca aberta do que o braço estendido. E é!

 

Do poeta brasileiro Adel Marta Vares, esta "Cena Medieval", a que eu chamaria Cena do Esmoler Burro (com uma pequena esmola resolve-se tudo):

Marchava na estrada

Feliz cavaleiro,

Em passo ligeiro,

Alegre e lampeiro,

Couraça vestia,

Que ao sol reluzia,

De noite e de dia.

Em pleno caminho,

No meio da estrada

Deitou uma olhada

P'ra dentro dum ninho,

Gentil, pequenino,

Que quase não via

E dum galho pendia

E quase caía

Em pleno caminho.

E dentro do ninho,

Que sorte mofina!

Que pérfida sina!

O bom passarinho

Estava tão só

Que o pobre bichinho

Metia até dó.

Então o cavaleiro,

Abrindo o gibão.

Mui sério e lampeiro,

Deu-lhe um tostão.

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Flagrantes
Em questões que respeitem à criminalidade e quanto aos flagrantes, existem apenas duas variantes, o flagrante delito, quando os autores de determinado crime são apanhados com a boca na botija e o flagrante de litro que é o estado em que andam os responsáveis pelas políticas de segurança, ou seja, andam sempre grossos e legislam enevoados contra as vítimas.
Ainda terá carteira profissional?
Este é o "jornalista" que combinava notícias falsas com o Pinto da Costa.

Não esquecer:
www.youtube.com/watch?v=P2dX61WvLDE
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