O ministro da Defesa considerou hoje que "tal como existem as Forças Armadas não são sustentáveis" e defendeu a realização de reformas estruturais, depois de ter recebido avisos de "prudência" nesta matéria por parte de antigos chefes militares.
Durante um almoço conferência promovido pela revista Segurança e Defesa, José Pedro Aguiar-Branco elencou várias medidas que estão em curso e já concluídas e deixou um apelo à audiência - composta por altas patentes militares e dos serviços de informações - para que sejam parte das reformas em curso.
"Este é o tempo de fazer todas as reformas e nós vamos fazê-las, os portugueses não perdoariam se assim não fosse (...) São precisos todos aqueles que pensam a segurança e a defesa, como esta casa, são precisos todos aqueles que no terreno têm o comando efetivo das operações. Esta reforma faz-se convosco, faz-se com os militares, faz-se com os chefes ou não se faz de todo", exortou.
"As Forças Armadas não podem estar constantemente em reestruturação"
Depois da sua intervenção, Aguiar-Branco foi confrontado com duas perguntas do ex-chefe do Estado-Maior da Armada Melo Gomes e do ex-vice-chefe do Estado-Maior do Exército Garcia Leandro, que o advertiram para o "risco" de se colocar em causa o "caráter" da instituição militar.
"As Forças Armadas são um pilar do Estado e não podem estar constantemente em reestruturação", disse Melo Gomes, pedindo "prudência" nas reformas.
No mesmo sentido, Garcia Leandro afirmou que "se se retirar o caráter" às Forças Armadas, "abatemos as suas estruturas".
Às preocupações, o ministro da Defesa respondeu com "um mergulho na verdade das coisas" e sublinhou que "a realidade do país" não é a mesma de há dois ou três anos.
"Vivemos acima daquilo que podíamos, em todos os setores"
"A adaptação tem de acontecer em todo o lado. Vivemos acima daquilo que podíamos, em todos os setores", considerou Aguiar-Branco, que referiu a sua experiência enquanto porta-voz do PSD para a Defesa, quando foram feitas as reformas de 2009.
"Era um país que, bem ou mal, nós julgávamos que era outro", disse, advertindo que "tal como hoje existem, as Forças Armadas não são sustentáveis" e que estas correm o risco de uma "implosão" caso seja ignorada "a sustentabilidade das mesmas".
Na sua intervenção, José Pedro Aguiar-Branco elencou várias reformas já feitas, como a redução de estruturas no seu ministério, a localização do novo Hospital, o início da revisão da Lei de Programação Militar ou a transposição para a nova tabela remuneratória.
"Estamos igualmente a trabalhar em conjunto com o Ministério da Economia no estudo de viabilidade do aeroporto complementar de Lisboa, estamos a preceder a um estudo sobre os Estabelecimentos Militares de Ensino, procurando gerir melhor os recursos, de forma mais racional, sem olhar a dogmas ou preconceitos", acrescentou ainda.