19 de junho de 2013 às 21:47
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Defender a União Europeia

Numa época em que o nacionalismo de esquerda ("ai, o meu estado social") se junta ao nacionalismo de direita ("ai, a minha tradição"), devemos proteger a União Europeia, a nossa confederação de democracias.
Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. A esquerda está a desenvolver uma crescente retórica nacionalista; o vocabulário soberanista e crítico da UE está a ganhar força nas esquerdas, e não só nas esquerdas radicais. Ou seja, o nacionalismo de esquerda está a juntar-se ao nacionalismo de direita numa espécie de aliança contra a UE, contra a "Europa profanadora". Ora, quando eu vejo a extrema-esquerda e a extrema-direita juntinhas num ataque a um "inimigo", eu sei que devo defender esse "inimigo". E, de facto, é preciso defender a UE contra os populismos esquerdistas e direitistas. Um exemplo francês: a direita francesa não quer os ciganos em França; a esquerda francesa não quer os trabalhadores polacos em França. Contra estes nacionalismos, é preciso defender uma UE forte, uma Comissão forte.

II. Vivemos uma época confusa. Todos os dias há avanços e recuos na "construção europeia". Todos os dias há alguma coisa que nos irrita (BCE, Merkel, Juncker, etc). Mas, no meio deste caos financeiro, convém relembrar uma velha certeza política, que não pode ser esquecida: a UE é o nosso maior bem político. Convém relembrar que a vida na Europa - tal como a conhecemos hoje - não é natural, não é a ordem natural das coisas. A maravilha que é andar pela Europa sem a necessidade de mostrar papéis não é um dado natural: é uma construção política da UE. O facto de podermos vender os nossos produtos nos países mais ricos - em mercado aberto - não é um dado natural: é uma construção política da UE. O facto de haver um actor (Comissão) com a legitimidade para atacar o racismo de Sarkozy não é um dado natural: é uma construção política da UE. E, acima de tudo, é preciso lembrar outra coisa: com a UE, as disputas entre estados já não são decididas pela espada . Com a UE, os Estados que se odeiam mutuamente são forçados a dialogar de forma civilizada (e estes ódios ainda existem) .

III. De vez em quando, é preciso relembrar que aquilo que damos por garantido, aquilo que julgamos ser o desenvolvimento natural das coisas é, na verdade, uma construção política. E esta construção, como todas as construções humanas, pode ser destruída.

Comentários 20 Comentar
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sr. raposo
... então e o Sócrates? Está esquecido??? Ou foi substituído no frete pelo que está mais abaixo (João Lemos Esteves)?
Numa altura destas em que tem todas as condições e o apoio dos FP para malhar no homem, vem falar da UE???

Cuidado, defenda o tacho! Ataque o Sócrates, não se deixe ultrapassar pelo tal mais abaixo!
Re: sr. raposo Ver comentário
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Re: sr. raposo Ver comentário
A Europa dos ricos e a Europa dos pobres?
Defender a União Europeia é criar as condições que concretizem, sem tibiezas, o projecto europeu:alargar o desenvolvimento a todo o seu vasto terrritório,dentro de uma solidariedade e exemplo a seguir por todo o planeta.
Agora,a questão que se coloca hoje,é muito simples: se os Países ricos da Europa abandonam e penalizam os Países mais pobres, então a politica europeia falhou e os seus dirigentes em Bruxelas podem ir embora.
As convulsões sociais aparecerão porque o tempo dos escravos acabou.A História ensina que se não devem repetir os mesmos erros e parece que é disso que a Sra Merkel e seus compadres se estão,desgraçadamente, a esquecer.
PRESERVAR UMA EUROPA DE TODOS E PARA TODOS
O problema da ESQUERDA é q perdeu as noções básicas da cultura do TRABALHO, do MÉRITO e, diabolizou o SUCESSO e a RIQUEZA. A esquerda perante o descalabro ideológico e as sucessivas derrotas q sofreu ficou sem referências. Estes sucessivos dramas levou as tradicionais esquerdas a multiplicarem-se em varias esquerdas e hoje vemos na esquerda os maiores acrobatas e contorcionistas da actualidade. Alguns ficaram ancorados ao passado e culpam do descalabro as não virtudes humanas como o individualismo, a vaidade, a soberba. Outros auto reciclaram-se e hoje são os grandes defensores dum sistema q nas décadas d setenta e oitenta tudo fizeram p o destruir. Estes são a tal esquerda moderna, a tal esquerda com valores… nomes no mínimo curiosos! A opção por um discurso d índole nacionalista não é nova e traz à memoria um passado recente. Os nazis eram nacionais socialistas, e os fascistas defendiam uma relaçao harmoniosa entre as classes sociais. Comum aos dois foi a enorme congregação d sindicalistas radicais, comunistas e anarquistas. Às vezes parece q o passado está aí outra vez. Palavras antes a eliminar são hoje verborreadas pela esquerda. PATRIA, NAÇÃO, INTERESSES VITAIS AO PAÍS são hoje usuais como o eram nos discursos d Hess, Hitler ou Goebbles. Quanto à DIREITA musculada e radical pouco há a dizer porq a historia já nos ensinou q depois da libertinagem vem o populismo e a seguir os regimes mais autoritários. Resta-nos esta EUROPA q mais do q NUNCA deve ser defendida por todos
Re: PRESERVAR UMA EUROPA DE TODOS E PARA TODOS Ver comentário
Re: errado Ver comentário
http://www.ft.com/cms/s/0/e594c934-fe52-11df-abac-
.
Pode ser que sim.. Ver comentário
Re: Defender a União Europeia
Raposão é, evidentemente um grande con: neo-con! Quando for grande (processo que irá ser notoriamente moroso...), Raposódio quer ser como Karl Rowe ou Donald Rumsfeld, arautos da extrema-direita-ultra-conservadora-radical-fascista-reaccionária. O pensamento político de Raposeira, está preso algures entre 1974 e 76. Dado que ontem se falou na Wikileaks, o que gostaria de salientar é que me sinto bem mais seguro com a publicação dos documentos que têm vindo a ser divulgados, do que com 'as provas irrefutáveis da existência de armas de destruição massiva no Iraque', tese que foi desenvolvida por essa grande con que dá pelo nome de W. Bush (um crápula louco, sabe-se hoje), e pelos 3 estarolas obedientes que dão pelo nome de Blair, Asnar e Cherne, armas que afinal de contas... nunca existiram. Mas na wikileaks, posso assegurar, a grande bomba está mesmo para vir muito em breve: o anúncio oficial de que Raposódia se preparar para reactivar, com bomba e circunstância, o extinto e folclórico MIRN, em estreita colaboração com a galeria de horrores (os jotinhas de direita liberais) que elenquei há uns dias atrás...
Re: o que sao os NEO CON Ver comentário
Re: o que sao os NEO CON Ver comentário
Re: o que sao os NEO CON Ver comentário
Para que a UE seja aquilo que diz....
Para que a UE seja aquilo que diz ou deva ser , terá que fazer em muitas áreas como fez no futebol e no código da estrada . Se a UE , nestes dois pilares da sociedade conseguiu que os códigos , leis e regras fossem em tudos muito semelhantes , porque não alargar esta conquista a muitas mais áreas? Se temos uma moeda única , teremos que ter uma defeza única . Mas para termos essa defeza única , também temos que ter uma disciplina de gastos único , uma lei laboral única , um sistima de saúde única , um sistema social único , o nr. de deputados únicos , mais ou menos o mesmos nr. de funcionárioa públicos per cápit e muitas outra coisas , que senão únicas ,ao menos semelhantes. E quanto miais depressa isso se concretizar melhor será a defeza da UE. Porque o que os ricos não querem pagar são as féria de quém pouco faz e muito gasta , como o pessoal do SUL ,
A confusão é sua, caro Henrique Raposo
Henrique Raposo diz que «Vivemos uma época confusa». A confusão é sua, caro Henrique, ao querer continuar a usar chavões demagógicos, como «esquerdas» e «direitas» e respectivos extremos. Olhe a realidade mais de perto e sem a mediação desses chavões e verá que a União Europeia não está a ser posta em causa por esta grave crise económico-financeira, o que está ser posto em causa é a Zona Euro tal como a conhecemos hoje. Os países ricos do centro têm estado a crescer à custa dos pobres da periferia. É esse o fundo do problema. O «papão» do fim da UE, agora aventado pelos ricos, é apenas um meio de fazer vergar os pobres. Os ricos da zona Euro querem construir um Super-Estado, que não serve aos pobres. E repare que a Suécia e o Reino Unido pertencem à UE, não têm o Euro, e até estão a navegar bem nesta crise.
Ai Jesus! Ver comentário
Vá lá...
Costumo ser um dos (muitos) críticos das crónicas do H. Raposo, mas desta vez até que escreveu algo com sentido!
Até que enfim, mas...
Reporto-me, pura e simplesmente, ao último artigo do Doutor Mário Soares, no Diário de Notícias e com uma vénia, digo.
Dos vinte e sete países da zona euro, vinte e três, ou vinte e quatro(?), são conservadores ou ultra-conservadores...
E aqui estamos nós, com receitas velhísimas, anquilosadas, para problemas novos...
  A suspirar pela mesma receita, que, aos poucos, nos vai asfixiando...
E lá vamos, cantando e rindo...e a tecer loas a quem nos aniquila!...
Re: Até que enfim, mas... Ver comentário
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