Criado em 2000 pela Deco, o Gabinete de Apoio ao Sobreendividado
(GAS) registou em 2011 um aumento de 60 % de pedidos de ajuda. No total, mais de 23 mil consumidores recorreram ao GAS por não conseguirem cumprir os seus compromissos financeiros, embora um número substancialmente inferior (4288) estivesse de facto em condições de ser apoiado por esta via - um dos requisitos para aceder ao serviço determina que as dívidas não estejam em tribunal.
Natália Nunes, da Deco, explica que o gabinete atende qualquer pessoa. "Não é um serviço exclusivo para sócios", sublinha, "os únicos pressupostos são que as situações se refiram a particulares, que as dívidas não estejam na justiça e que o sobreendividamente resulte de causas alheias à vontade do consumidor, geralmente o que referimos como os '3 d' - desemprego, divórcio e doença".
Na prática, Natália Nunes lamenta que a maior parte dos casos chegue demasiado tarde às mãos da Deco. "A vergonha associada a este tipo de situações e, por vezes, o sentimento de que as coisas vão acabar por se resolver, levam a que as pessoas nos procurem já com quadros muito complicados em que já não podemos intervir", afirma.
Alerta deve ser dado ao primeiro sinal de dificuldades
Fica o alerta. O ideal é que o primeiro passo seja dado "mal uma família antecipe dificuldades para cumprir os pagamentos" que tenha a seu cargo. "Deve começar por contactar as instituições de crédito procurando renegociar contratos", explica a especialista da Deco, "procurando de imediato o GAS se essa via não correr bem".
Qualquer meio é válido para acionar este pedido de ajuda: email, carta, contacto pessoal ou através da linha telefónica específica, que funciona diariamente entre as 10h e as 15h (21 371 02 38).
Quanto ao balanço do ano passado, 61% dos processos seguidos pelo GAS resultaram de pedidos de comsumidores entre os 31 e os 50 anos. As causas para o sobreendividamento tiveram maioritarimente origem em alterações laborais, seja por desemprego (31,4%), seja pela deterioração das condições laborais (21,7%).
Outra das alterações verificadas, acrescenta Natália Nunes, prende-se com o tipo de ação desenvolvida pelo GAS: "No âmbito destes processos de apoio às famílias contactavamos sobretudo instituições de crédito e, neste momento, temos já nessidade de estender a nossa ação a organismos como a EDP e operadoras de telecomunicações".