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Debate do Parlamento: Sócrates não mudou

O José Sócrates que esteve esta tarde no debate da moção de censura apresentada pelo CDS foi o "animal feroz" de sempre: agressivo a defender as suas políticas e a atacar as oposições.

Filipe Santos Costa
19:39 Quarta feira, 17 de junho de 2009

Já o debate sobre a moção de censura contra o Governo apresentada pelo CDS tinha passado de meio quando José Sócrates disse a frase que pode servir de epígrafe a mais de três horas de discussão: "Não me peçam para fazer o que não sei fazer."

Sócrates não muda o estilo, mesmo que introduza no discurso novidades como "humildade democrática". O primeiro-ministro que esta tarde respondeu à moção de censura do CDS (que recebeu o chumbo do PS, o voto a favor do PSD e a abstenção do PCP , BE e Os Verdes ) fez o que sabe fazer e tem feito durante toda a legislatura: defesa intransigente das políticas do Governo - de todas, sem excepção - e ataque violento às oposições.

A frase de Sócrates citada acima podia referir-se ao desempenho parlamentar do primeiro-ministro, mas não - referia-se à governação. Continuava assim: "Não me peçam para fazer o que não sei fazer, que é governar sem convicção. Eu governo com base nas minhas convicções."

Mais à frente, acrescentou: "Este é o nosso rumo, não temos outro." E, ainda adiante: "Eu acredito nas políticas que o Governo desenvolveu." Não só Sócrates não mudou um milímetro no estilo, como garante que não alterará as políticas, nem que seja porque não tem outro rumo.

Quem pensou que o debate desta tarde traria um primeiro-ministro mais humilde ou mais suave ("português suave, modesto, humilde", ironizou Portas), enganou-se. Foi tudo igual.

A única novidade veio mesmo no fim: quem encerrou o debate foi Luís Amado - não por acaso, o ministro mais popular do Governo e um dos poucos com uma imagem positiva segundo as sondagens.

Pelo meio, houve uma meia-novidade: Sócrates confirmou o adiamento do TGV , garantindo que "o futuro Governo terá toda a liberdade para fazer a adjudicação e assinar o contrato" de concessão das linhas do comboio de alta velocidade.

Um adiamento justificado pelo "escrúpulo democrático", disse Sócrates, embora mantendo o discurso de que este é um projecto essencial para o Governo, que seria "uma irresponsabilidade" adiar. 

Algum erro?


Paulo Portas , ao abrir o debate, pediu ao primeiro-ministro que, tendo já admitido "eventuais erros", os concretizasse. Iria Sócrates reconhecer qualquer falha? Nada disso - nem uma. "Certamente todos cometemos erros..." - começou por responder, para logo virar o discurso para o argumento habitual da herança do Governo anterior, esta tarde outra vez repisado - "...mas não cometemos os erros que o senhor cometeu".

Toda a oposição colocou a mesma questão ao primeiro-ministro, sugerindo mesmo algumas pistas sobre os erros que Sócrates poderia reconhecer depois da derrota eleitoral das europeias: política económica, regras de acesso ao subsídio de desemprego, educação, segurança, fisco, desgaste da equipa governativa.

De Sócrates, nada. "Se mantém toda a confiança política em todos os seus ministros e em todas as suas políticas, os eventuais erros quais são?", interrogava Luís Fazenda, do BE.

A resposta estava dada na intervenção inicial de Sócrates, que deu a sua leitura dos "sinais de insatisfação e dúvida" que devem ser compreendidos "com humildade democrática": "Tenho bem a consciência de que as medidas difíceis que tivemos de tomar, para vencer a crise orçamental, e a necessidade que tivemos de fazer tantas reformas em tão pouco tempo, terão provocado, em certos sectores, algumas feridas e descontentamentos. Sei também que os efeitos da crise económica mundial trouxeram dificuldades adicionais às famílias e às empresas, prolongando um tempo de exigência e diminuindo a visibilidade dos progressos que o País, de facto, alcançou".

Sócrates atacou a apresentação de uma moção de censura "totalmente inútil e inconsequente", sinal de "oportunismo político" do CDS, ao "brincar aos truques políticos" e a "desprestigiar a democracia com expedientes sem sentido".

Alberto Martins , mais duro, acusou o CDS de "irresponsabilidade política", de "usurpação política da vontade popular" e de "manobrismo infantil" por querer, com a moção de censura, "prolongar artificialmente" os resultados das europeias.

Portas, que no início do debate tinha apontado, entre os pecados de Sócrates, a arrogância, chegou ao fim constatando que o primeiro-ministro não mudou e nada aprendeu com a derrota das europeias. "Está absolutamente igual e isso não recomenda nada de bom para o futuro", sentenciou Portas.

"Está a tentar fazer de conta que o 7 de Junho não aconteceu, porque não retirou nenhuma consequência, nem dos erros nem da humildade. Chego a acreditar que o senhor faz parte dos que acreditam nas sondagens e acha que ganhou as eleições. Não ganhou", insistiu o líder do CDS.

Terminado o debate, e perante a insistência dos jornalistas, Sócrates assumiu um erro nestes quatro anos: "Deveríamos ter investido mais em Cultura, tal como fizemos em Ciência."

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Pode ser que os eleitores tambémnão mudem
Jah (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 19:53 | Quarta feira, 17 de junho de 2009
Pode ser que os eleitores também não mudem de voto, mantenham o rumo e a persistência que demonstraram nas europeias...

Ainda falam em ortodoxias dos radicais...
 
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Cuidado com os idos de Outubro
al karrub (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 20:31 | Quarta feira, 17 de junho de 2009
Entramos agora numa euforia segundo a qual este governo já era.

Com base nuns resultados de umas eleições muito pouco participadas e para o Parlamento Europeu.

Esquecemo-nos que as pessoas tomam sempre o PE como um local distante e votam ou ficam em casa em indiferença, esquecemo-nos que as próximas (legislativas ou autarquicas) dirá muito mais às pessoas, serão mais empoladas, quer emocionalmente, quer em termos de interesse directo.

Eu detesto o autismo com que os políticos se apropriam do poder (como se o poder emanasse deles e não do mandato em que foram conferidos), e já vejo o "brilho nos olhos" daqueles que acham que chegou a sua vez...

Pois bem digo-vos que a nossa democracia está em maus lençois, pois desde há quase duas décadas que os politicos são eleitos não por mérito próprio, mas por demérito dos políticos precedentes. E agora não é excepção à regra, pois se já estou farto do autismo socialista não antevejo um caminho melhor para os sociais democratas.

Espero sinceramente que haja uma dispersão de votos tal que venha a ensinar o próximo governo a negociar, aa assumir compromissos, a encontrar consensos e não venham dizer-me que será um período de instabilidade, pois a forma como lidamos com a estabilidade é terrivel para a Democracia...

Por isso é-me indiferente o "modus arrogante" do eng.º Socrates ...

Bem Haja,

João Silva
 
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Em termos de Psicologia Aplicada...
erika santiago (seguir utilizador), 1 ponto , 20:26 | Quarta feira, 17 de junho de 2009
Levam-se anos a suavizar defeitos de carácter.
O que o PM gosta mesmo é de guerrilha e de barulho, e tem a pretensão interior de ser um PÓS-MODERNO homem de rupturas...
Francamente, nem sequer tem no ADN o carisma ou o perfil de UM BOM GUERREIRO.
Só se cansa e cansa-nos.
Olhem-se-lhe as cãs, os ritos faciais, olhem-se-lhe as expressões do rosto; ouçam-lhe a voz e sintam-lhe devagar o poder que procura com as palavras... Está gasto e soa a falso.
Pode ser uma excelente pessoa no recato da sua vida particular (eu acredito), mas como político e "meu" PM, nele já não confio.
E sabe DEUS as expectativas que criei.
 
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    e a Manuela Ferreira Leite?    Ver comentário
Carlos A R Ferreira (seguir utilizador), 0 pontos , 20:46 | Quarta feira, 17 de junho de 2009
    Conclusões apressadas...    Ver comentário
erika santiago (seguir utilizador), 1 ponto , 23:09 | Quarta feira, 17 de junho de 2009
MENDONÇA JÚNIOR, Coronel de Cavalaria
sinahd (seguir utilizador), 1 ponto , 23:04 | Quarta feira, 17 de junho de 2009
AMIGOS COMENTADORES, com o devido respeito e melhor consideração sugiro que aceitem erguer uma “ bandeira de paz”

– uma trégua muito especialmente para pôr de lado a forma zangada, destilada de ódio e por vezes insultuosa, com que se processam os debates no Parlamento.

Seria um salutar exemplo de confiança e optimismo (sabe-se ser difícil) a seguir pelos Portugueses, enquanto não for ultrapassada a actual crise (com graves repercussões no nosso Portugal).

Seria “um braço dado de conjugação de esforços temporário” a recompor, nos amplos termos democráticos, logo que uma natural normalidade

– não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe

– ressurgisse no Mundo através da força de vontade e inteligência para cada um sobreviver, legalmente, com ambicionada felicidade.
 
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COLIGAÇÕES COM O BLOCO, NUNCA!
José Telhado (seguir utilizador), 1 ponto , 1:03 | Quinta feira, 18 de junho de 2009
PARA MEMÓRIA FUTURA A SINISTRA ANTIFAR É UMA MULHER OU HOMEM QUE PERTENCE A UMA ORGANIZAÇÃO ESTRANHA, QUE FALA EM "NÓS", PORTANTO DEVEM SER VÁRIOS SOB AQUELE NICK E QUE TEM INFORMAÇÕES FALSAS NO EXPRESSO DO TIPO:

  Nome: Cátia Farias
  Sexo: F
  Data Nascimento: 1967-06-14
  Residência: Porto
  Profissão: Outra

  Email: antimater-ea@hotmail.com

 
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    Re: COLIGAÇÕES COM O BLOCO, NUNCA!    Ver comentário
ANO1933 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:31 | Quinta feira, 18 de junho de 2009
    Re: COLIGAÇÕES COM O BLOCO, NUNCA!    Ver comentário
José Telhado (seguir utilizador), 1 ponto , 11:53 | Quinta feira, 18 de junho de 2009
    Re: COLIGAÇÕES COM O BLOCO, NUNCA!    Ver comentário
ANO1933 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:44 | Quinta feira, 18 de junho de 2009
    Re: COLIGAÇÕES COM O BLOCO, NUNCA!    Ver comentário
ANO1933 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:50 | Quinta feira, 18 de junho de 2009
José Sócrates
ANO1933 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:45 | Quinta feira, 18 de junho de 2009
José Sócrates, não mudou nada! Só quem nunca privou de perto com ele, acredita, que ele deixou de ser arrogante e teimoso!
Isto não passa de uma farsa e tentar enganar os eleitores!
Costuma dizer-se: O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita!
Em conclusão, José Sócrates, continuará a ser o mesmo que foi estrondosamente derrotado em 7 de Junho!
Ninguém se deixará enganar, por esta nova estratégia!
Quanto à entrevista à Sic-Notícias, a jornalista não pode ter um comportmento destes!
Faz-me lembrar aquela célebre entrevista, conduzida por Ricardo Costa e Nicolau Santos, que só envergonhou o verdadeiro jornalismo !
 
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Calma!
Kinikós (seguir utilizador), 1 ponto , 12:06 | Quinta feira, 18 de junho de 2009
Andam uns muito nervosos. Andam outros muito eufóricos.
Os restantes olham tudo e não entendem.
Pertenço ao resto.
Afinal de que falam, de que gritam “por dentro dos seus artigos de fundo”?
Que eleições comentam? As do Parlamento Europeu?
Não compreendo que se transforme linearmente estas eleições, em eleições legislativas. As eleições para o Parlamento Europeu, em que só 30 e tal cento dos portugueses votaram (incluindo “brancos” e “nulos”), foram para eleger aqueles senhores que vão para não sei onde, fazer não sei quê, ganhando o muito que sabemos bem!
Que conclusão tirar? Eu, por exemplo, não votei no partido em que vou votar para as autárquicas e legislativas!
Se estas eleições fossem para escolher novo governo, quem deixaria o fraco pelo desconhecido? Quem confiaria numa respeitável senhora, com experiência falhada de governação, que parece ter mais apetência para passear os netos do que forças para enfrentar esta crise a nível nacional e mundial? Todos temos o nosso tempo e chega o dia em que devemos dar a vaga.
Quem confiaria o volante da governação a um recém-saído das sebentas da Universidade, que parece ter em si o segredo da “cadeira” e o poder da leccionação?
Se alguma conclusão “nacional” se pudesse tirar destas eleições seria a seguinte:
“Não sabemos em quem votámos. Sabemos que votámos contra o Governo!”
Ora, a ser verdade, isto seria muito perigoso. Não tardaria um ano e teríamos novas eleições!
 
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Já esquecemos tudo...
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 0 pontos (Despropositado), 20:05 | Quarta feira, 17 de junho de 2009
Será que já esquecemos 2002, 2003 e 2004? Espero bem que não. Para nosso bem, espero que não...

Espero que, quando as pessoas forem votar, se lembrem dos três anos negros de que Portugal se libertou em 2005... Porque senão... Estamos muito bem lixados.

Pôr a União Nacional de volta a governar, nesta altura será o maior erro de sempre.
 
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    Qual União Nacional?    Ver comentário
Carla A Rosário (seguir utilizador), 1 ponto , 22:14 | Quarta feira, 17 de junho de 2009
    Re: Qual União Nacional?    Ver comentário
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 0 pontos , 8:26 | Quinta feira, 18 de junho de 2009
    Re: Já esquecemos tudo...    Ver comentário
ANO1933 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:55 | Quinta feira, 18 de junho de 2009
    Re: Já esquecemos tudo...    Ver comentário
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 13:23 | Quinta feira, 18 de junho de 2009
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