David falhou dois xeques-mates para derrubar Golias
Era uma luta entre David e Golias, entre um anão com vontade de crescer e um gigante com a ambição de superar o maior de todos, a China. Mas Portugal esteve perto de fazer uma surpresa nos quartos-de-final do ténis de mesa por equipas, perdendo apenas na 'negra' (2-3) com a poderosa Coreia do Sul, segunda do ranking mundial e com todos os jogadores entre os top-20 (os portugueses situam-se entre o 31.º e o 39.º lugares).
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E a equipa nacional até esteve na frente, por 2-1. Foram dois xeque-mates 'desperdiçados' que podiam ter sido históricos mas, para a história, vai ficar apenas a boa réplica nacional. E uma espécie de vitória moral, daqueles que não dão nada a não ser esperança de, daqui a quatro anos, Portugal aspirar a mais nos Jogos Olímpicos. Mas uma coisa é certa: Marcos Freitas, Tiago Apolónia e João Pedro Monteiro mereciam mais.
Primeiro jogo - Uma ameaça que ficou por aí
Tiago Apolónia foi o primeiro português a entrar em jogo, ao contrário do que tinha acontecido com a Grã-Bretanha onde jogou apenas nos pares. E o início foi bom, tendo mesmo oportunidades para fechar o primeiro parcial a seu favor, mas Sangeun Oh (que tinha retirado Marcos Freitas do quadro individual) acabou por dar a volta. Aí e nos outros, com os parciais de 11-13, 7-11 e 9-11.
Segundo jogo - A calma ganhou à paciência
Marcos Freitas começou a mudar a tendência do encontro no segundo jogo de singulares. A jogar contra o número 10 do mundo, Saehyuk Joo, o madeirense teve a calma e a concentração suficientes para quebrar a paciência do sul-coreano, vencendo com os parciais de 16-14, 11-6, 6-11 e 11-9. E com bolas extraordinárias, como uma onde houve mais de vinte trocas (o ponto acabou por ser para a Coreia do Sul). Foi aqui que a bancada, composta maioritariamente por britânicos, virou - tudo por Portugal.
Terceiro jogo - A surpresa em versão dupla
O jogo de pares virou o resultado a favor de Portugal: João Pedro Monteiro e Tiago Apolónia ganharam a Sangeun Ho e Seungmin Ryu após uma recuperação fantástica de 0-2 para 3-2 com os parciais de 6-11, 10-12, 11-1, 11-8 e 11-7. E como entretanto o encontro entre Alemanha e Áustria terminou, as atenções passaram a estar apenas focadas no conjunto nacional, cada vez mais apoiado pelo público (que entretanto se galvanizou com a vitória de... Andy Murray).
Quarto jogo - A um bocadinho assim...
Portugal teve o primeiro xeque-mate para fazer cair a Coreia do Sul no encontro de singulares entre João Pedro Monteiro e Saehyuk Joo mas, desta vez, a paciência do asiático acabou mesmo por mexer com os nervos do português, que acabou por ser derrotado por 11-8, 6-11, 4-11 e 10-12. Ficou a sensação de que podia ter sido diferente. E, coincidência ou não, no final houve muita gente a ir embora.
Quinto jogo - A lei do mais forte
Marcos Freitas, o melhor português da atualidade (31.º do ranking), ia defrontar Seungmin Ryu, o pior sul-coreano do momento (17.º posto). Com uma pequena nuance - não era pior, era o menos bom. Porque, por exemplo, foi campeão olímpico em 2004. Aqui imperou a lei do mais forte, com os parciais 5-11, 6-11, 11-9 e 3-11. Mais um xeque-mate desperdiçado, com o speaker a louvar a exibição da equipa portuguesa no final. Não passou de uma vitória moral mas valerá, no futuro, bem mais do que isso...


Nuno Veiga/Lusa
Marcos Freitas bem tentou, mas Portugal acabou por perder
