Damasco ameaça utilizar armas químicas
Governo sírio ameaçou hoje recorrer a armas químicas em caso de intervenção estrangeira no país. Regime reconhece pela primeira vez possuir armamento não convencional.
Após três meses de guerra civil, o Governo de Bashar al-Asad confirmou hoje que possue armas químicas e biológicas que poderá utilizar se sofrer uma agressão externa, ou seja, uma intervenção militar. Washington já advertiu o regime de Damasco para "não pensar nem um segundo" em fazê-lo.
O anúncio foi feito pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio, Jihad Makdessi, que afirmou que "nenhuma arma química ou não convencional será usada contra os cidadãos sírios", a não ser "em caso de agressão estrangeira", acrescentando que estas armas estão armazenadas sob a custódia das Forças Armadas.
Makdessi classificou de "interferência flagrante" nos assuntos internos da Síria a última proposta da Liga Árabe, que pediu a renúncia de Assad. Mas confirmou que o regime aprova o plano de pag defendido por Kof Annan, mediador internacional, que estabelece, entre outros pontos, o início do diálogo entre o regime e a oposição.
Recorde-se que na passada quinta-feira a Rússia e a China vetaram no Conselho de Segurança das Nações Unidas uma resolução que abriria caminho para intervenções mais significativas na Síria. Foi o terceiro veto contra novas medidas, apesar da escalada de violência naquele país.
UE e ONU manifestam preocupação
Os EUA e a União Europeia manifestaram hoje preocupação com a ameaça síria de recorrer a armas químicas em caso de intervenção militar externa, tendo Washington advertido o regime de Damasco para "não pensar nem um segundo" em fazê-lo.
Os sírios "não devem pensar nem um segundo em usar armas químicas", declarou aos jornalistas o porta-voz do Pentágono, George Little, considerando essa eventualidade como "inaceitável".
"Quando as armas químicas são referidas na imprensa pelos responsáveis sírios, isso causa inquietação", afirmou Little. "Opomo-nos firmemente - e é um eufemismo - a qualquer reflexão que leve à justificação do uso deste tipo de armas pelo regime sírio", prosseguiu.
Também o chefe da diplomacia britânica, William Hague, considerou "inaceitável" a ameaça de Damasco. "É inaceitável dizerem que podem usar armas químicas, seja em que circunstância for", disse Hague no final de uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) em Bruxelas.
O seu homólogo alemão, Guido Westerwelle, afirmou que "ameaçar recorrer a armas químicas é monstruoso", acrescentando que isso mostra a atitude "desumana" do regime de Bashar al-Assad.
Em comunicado, Westerwelle apelou a "todas as autoridades na Síria para garantirem de forma responsável a segurança do 'stock' de armas químicas".
"Essas instalações são alvo de uma vigilância particular", advertiu o chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius.
Numa declaração adotada hoje, a UE afirmou-se "profundamente preocupada" com o possível recurso a essa armas. A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, afirmou que a existência de armas químicas em qualquer zona de conflito constitui "motivo de inquietação".
"Que eu saiba, não há qualquer motivo no imediato para preocupação com a deslocação de armas desse tipo", disse Ashton, em conferência de imprensa, após a reunião dos 27. A responsável europeia admitiu, no entanto, que "é difícil obter informações", sobre o que se passa na Síria.
"Espero, sinceramente, que a comunidade internacional mantenha os olhos abertos para evitar que isso aconteça", afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.


Reuters
Jihad al Maqdisi, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio
