25/05/2012 atualizado às 0:46
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Dalai Lama diz que vai abdicar

O líder tibetano, Dalai Lama, diz que chegou o momento de transferir as suas funções políticas para um sucessor eleito. A China diz que é um logro.

8:25 Quinta feira, 10 de março de 2011
O Dalai Lama anunciou hoje que vai abandonar as funções políticas no governo tibetano no exílio, transferindo esse poder para um representante eleito
O Dalai Lama anunciou hoje que vai abandonar as funções políticas no governo tibetano no exílio, transferindo esse poder para um representante eleito
Stringer/Reuters

O Dalai Lama anunciou hoje que vai abandonar as funções políticas no Governo tibetano no exílio, transferindo esse poder para um representante eleito.  O líder espiritual tibetano, que falava por ocasião da revolta tibetana de 1959 contra as autoridades chinesas, defendeu ter chegado o momento de devolver a sua autoridade formal para um líder eleito. 

A China acusou o Dalai Lama de tentar "enganar a comunidade internacional", ao anunciar hoje que ia abandonar a direção política do governo tibetano no exílio. 

"Nos últimos anos, ele falou muitas vezes acerca da sua reforma. Penso que isso faz parte dos seus truques para enganar a comunidade internacional", disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Jiang Yu. 

O Dalai Lama, que vive exilado na vizinha Índia há mais de meio século, disse hoje em Dharmsala que iria apresentar na próxima semana a proposta autorizando-o a retirar-se da chefia política do governo tibetano no exílio.

"O governo no exílio é uma organização política ilegal e nenhum país do mundo o reconhece", contrapôs a porta-voz do MNE chinês. 

Exilado desde os 24 anos


O Dalai Lama refugiou-se em Dharmsala, no norte da Índia, em 1959, na sequência de uma frustrada rebelião contra o governo chinês. O líder político e espiritual dos tibetanos tinha então 24 anos.

Em 1989, o Dalai Lama foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz, mas para o governo chinês trata-se de "um líder político que, sob a capa de monge, está há muito envolvido em atividades separatistas". O Dalai Lama "é o cérebro de uma clique de activistas pró-independência do Tibete", disse Jiang Yu. 

Território treze vezes maior que Portugal e com apenas três milhões de habitantes, situado na cordilheira dos Himalaias, o Tibete é uma das cinco regiões autónomas da República Popular da China. 

Novo Dalai Lama será eleito


O Dalai Lama insiste que o governo tibetano exilado na cidade indiana de Dharmsala deve ter mais poder e na sua intervenção garantiu que em breve vai propor emendas à Constituição para encetar as mudanças pretendidas.

O Parlamento tibetano no exílio tem agendada a sua próxima reunião ainda para o mês de março, devendo nessa altura votar as emendas defendidas pelo Dalai Lama. 

O papel do Dalai Lama é fortemente cerimonial e um primeiro-ministro eleito será o líder formal do governo no exílio, mas o estatuto internacional do próprio Dalai Lama poderá ofuscar qualquer movimento de um novo líder.

Os Dalai Lama eram por tradição os líderes políticos e espirituais do Tibete e o atual Dalai Lama mantém esse estatuto quase mítico para a maioria dos seus seguidores. 

Lusa
Palavras-chave  dalai lama, tibete, China, exílio, Dharmsala
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Dalai Lama diz que vai abdicar
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:42 | Quinta feira, 10 de março de 2011
Podiam convidar o Manuel Alegre para o substituir, já que Cavaco acabou de ser eleito Presidente de todos os portugueses e não o pode também ser dos Tibetanos, mas também porque a China não iria gostar.
 
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    Re: Dala vai abdicar:Alegre quer é arroz de pato    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 14:21 | Quinta feira, 10 de março de 2011
Uma decisão inteligente
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 9:24 | Quinta feira, 10 de março de 2011
Compreende-se bem as preocupações de Pequim: ao dar este passo, o Dalai Lama está a minar o ponto fundamental apostado pela China quando esta invade o Tibete: que esta era uma teocracia pura. Excluindo-se da direcção política, fica livre para explorar a sua dimensão religiosa, quiçá concorrer no próprio terreno contra os outros reencarnados que Pequim entendeu apoiar, tal como deixa livre o governo no exílio para explorar vias protestantes similares às que contaminou o mundo Árabe e que seriam impossíveis com ele na direcção.

Tudo isto são somente especulações minhas baseadas na notícia, mas parecendo-me uma jogada inteligente a fazer (mesmo que até possa se vir a dever a algo tão prosaico como a velhice, outra possibilidade), não vejo muita credibilidade nas acusações da China.
 
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    Re: Uma decisão inteligente    Ver comentário
DuarteSilva.S (seguir utilizador), 1 ponto , 11:34 | Quinta feira, 10 de março de 2011
    Re: Uma decisão inteligente    Ver comentário
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 13:11 | Quinta feira, 10 de março de 2011
Bem...
DuarteSilva.S (seguir utilizador), 1 ponto , 11:29 | Quinta feira, 10 de março de 2011
A China actual não passa de um logro.
Um país onde se pratica a escravidão para fazer crescer a economia, não tem moral para falar, seja no que for.
Dominada pela ideologia mais bizarra que a humanidade conheceu, o comunismo, tem praticado crimes após crimes e a invasão do Tibete foi um deles.
Quantidade não é qualidade e se é o país mais populoso do mundo, decerto não é aquele em que os seus cidadãos vivem melhor.
Sinceramente, uma tigela de arroz por um dia de trabalho!...
Matar crianças à nascença, se são do sexo feminino, é barbárie.
Os culpados somos nós. Você, eu e tantos outros, que compramos produtos chineses.
 
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    Re: Bem...    Ver comentário
Worldinare (seguir utilizador), 1 ponto , 12:17 | Quinta feira, 10 de março de 2011
Todo o homem que sustenta seu poder
Rio Grande (seguir utilizador), 1 ponto , 14:31 | Quinta feira, 10 de março de 2011
numa religião, é sempre alguém com visão curta e muito próximo do absolutismo como forma de governar. No Nepal, cerca de 90% da população, de acordo com os ensinamentos religiosos desse líder, eram pessoas sem pureza e nas quais não se podia tocar. Não defendo esse líder, que fazia cumprir as leis de segregação baseada numa superioridade inexistente, como muitas das nossas religiões, que considera os féis filhos de deus, sendo os infiéis os bastardos. Agora, cansado de pedir o reconhecimento internacional para o seu governo no exílio, que nunca conseguiu, resolveu dar-se ao luxo de uma tirada democrata que, neste nosso tempo, em nada vai modificar sua posição. Não é só a China que não reconhece seu governo no exílio, é o entendimento da esmagadora platéia internacional de países, que olha noutra direção, para os quais deus é apenas um negócio de comandar as massas e, quando falha, só serve para os lamentos dos seguidores e nada mais. Rio Grande
 
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