É sempre bom encontrar ambientalistas que mantêm relações cordiais com a realidade e, sobretudo, com um tom de voz baixo. Walker e King são dois exemplares dessa espécie rara, o ambientalista-que-não-grita. Sim, ok, Hot Topic não escapa por completo aos tiques habituais da tribo: a pressão apocalíptica (do estilo "se não fizermos nada nos próximos vinte anos, estamos perdidos"), a tendência para falar em "civilização humana" (como se existisse uma Humanidade una e indivisível à espera do consenso científico uno e indivisível) e a sugestão de soluções que abririam a porta a um controlo absurdo sobre as pessoas (ex.: "cartão de crédito de carbono", no qual seria apontado o carbono emitido por cada cidadão). Sim, Hot Topic tem isso tudo, mas também tem uma dose assinalável de sensatez e de tacto político. E isso salva o livro.
Para começar, os dois autores têm noção que o Ocidente não pode aparecer nas Cimeiras de Copenhaga com a atitude quero-posso-e-mando. Não vale a pena ficar a gritar contra a insensibilidade de chineses e indianos em relação ao ambiente, porque os líderes asiáticos têm uma preocupação constante em cima das suas pobres cabeças, a saber: continuar a retirar milhões de pessoas da pobreza mais abjecta. Portanto, convinha que os ocidentais mostrassem alguma sensibilidade social a par da sensibilidade ambiental. Neste sentido, Walker e King criticam uma posição anti-China muito comum: "sim, a China é o maior emissor a nível global e um dos países em crescimento mais rápido. Mas mesmo assim liberta menos gases efeito estufa per capita do que todo o mundo desenvolvido". Mais: até à data, a China "foi responsável por uma parte muito pequena do problema". A industrialização da China começou apenas em 1979. Portanto, "para terem uma hipótese de persuadir os países em desenvolvimento", os países ocidentais terão de controlar as suas próprias emissões per capita.
A par desta sensibilidade política e humana (os ursos polares são importantes, sim senhora, mas os seres humanos, parecendo que não, também merecem atenção), King e Walker atacam aquilo que apelidam de "pornografia climática", isto é, os ambientalistas histéricos que poluem o espaço público com o beneplácito dos média. Esta dupla britânica desfaz, por exemplo, aquelas patranhas que passam por ciência, a começar pelo argumento de filme de domingo à tarde.
Depois, Walker e King criticam a típica arrogância ambientalista. E ainda bem que o fazem. Porque já não há paciência para a atitude "eu sou mais verde do que tu". É essa presunção de superioridade que torna o ambientalista numa personagem, digamos, um pouco chatinha.