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Da interdisciplinaridade quando se fala de crime

O alegado triplo homicídio tem-me feito pensar muito na avaliação do comportamento à luz das ciências forenses, no quão difícil é valorizar os traços disfuncionais da personalidade e na nossa tolerância à loucura.

Ana Matos Pires
1:21 Terça feira, 27 de julho de 2010

Do âmbito das ciências forenses, determinantes na resolução de problemas judiciais com recurso a bases científicas e usadas sobretudo na presença de crimes violentos, fazem parte integrante três áreas da medicina forense - a patologia, a psiquiatria e a toxicologia. Em termos muito gerais o seu principal contributo é ajudar no esclarecimento das circunstâncias em que determinado crime aconteceu, nomeadamente na determinação das causas de morte e na avaliação do funcionamento mental do suspeito.

Para além das dificuldades na recolha e interpretação dos dados, que implicam perícias científicas muito específicas, as consequências legais desta actividade obrigam a uma redobrada atenção no uso das suas conclusões, sobretudo complicadas na avaliação dos aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais do sujeito.

Feito este preâmbulo, e se é verdade que estas dificuldades existem, também há que referir o extraordinário desenvolvimento dos instrumentos de avaliação ao longo dos últimos anos e, por isso, é absolutamente incompreensível que da pena de alguém do direito penal saiam escritos do tipo "São estes perigosos mecanismos de corrupção do eu - demoníacos, como diria Freud - que aproximam mas ao mesmo tempo separam o neurótico do criminoso. O neurótico sofre sem saber porquê e autoflagela-se. O criminoso, a partir de um idêntico mecanismo de dissolução do 'eu social', racionaliza e age." . Eu sei que estamos no domínio da opinião, mas assinar uma coluna de jornal onde se é apresentado com especificação da formação académica obriga, parece-me, a cuidados acrescidos na definição de conceitos e nas referências bibliográficas que se utilizam. Se a década de vinte do século passado não me parece a melhor das escolhas, o contraponto entre "neurótico" e "criminoso" é um erro de palmatória, sem qualquer sustentação da literatura qualquer que seja a época. Está mal, é grave e mostra a necessidade urgente de rever a "ponte" entre as ditas ciências forenses e criminais e o direito - é mandatório que ela se faça de forma consistente, efectiva e séria, sob pena de muita gente sair prejudicada. Não estamos a falar de uma redacção temática de um aluno do secundário.

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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Você sabe o que é um termómetro?
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 10:23 | Terça feira, 27 de julho de 2010
O que a autora ANA MATOS PIRES devia ter feito aqui era explicar-se melhor.Fica-se com a ideia que quiz mandar o recado a algum académico da praça,por esta via, apelidando-o de ignorante.Essa correspondência deve ser enviada pela caixa postal, a via própria para trocar postais ilustrados.
 
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Falar de assuntos, percebendo deles pouco ou nada!
Runaldinho (seguir utilizador), 2 pontos , 17:43 | Terça feira, 27 de julho de 2010
Um criminoso será sempre isso, independentemente do móbil do crime.
Como tal, parace-me que para o cidadão comum, a principal preocupação é a sua detenção, e que o mesmo seja julgado!
A sensação de impunidade, normalmente associada aos politicos, e noutro tipo de crimes, minou a nossa democracia. Espero que tenham o bom senso de não fazer o mesmo com este tipo de barbaridades. O facto de hipoteticamente o criminoso ser homessexual, não acrescenta nada ao crime. Crime é crime!
Fazer conjecturas sobre o estado psiquico do criminoso, é atirar umas atoardas sem grande consistência criminal. Estou farto de ver iluminados que percebem de tudo, e só dizem asneiras !
 
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fui ler e...
ment'insana (seguir utilizador), 1 ponto , 9:15 | Quarta feira, 28 de julho de 2010
Desconheço a formação de Ana Matos Pires, e fui ler o artigo em causa. Li com atenção e creio ter entendido, aceitando e partilhando das conclusões finais. Agora, também como diz Ana Matos Pires, embora tendo-o entendido e aceite à luz das referências e conceitos da década utilizada, estou em crer que toda a evolução cientifica (de qualquer ramo) decorrente, poderá permitir ou levar a outro tipo de conclusões que neguem mesmo tudo o aí dito. E para tal não tenho o minimo conhecimento. Porém, verdade não deixa de ser que o cuidado a empregar em colunas de jornal, sobretudo se devidamente assinadas por alguém que se deve assumir e deve ser assumida com autoridade nesse dominio, é muitas vezes negligenciado pelos próprios autores. o que realmente pode ter consequências indesejáveis.
 
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