D. Duarte: Portugal "está doente e maltratado"
O Chefe da Casa Real, D. Duarte de Bragança, disse hoje que Portugal está "doente e maltratado" e que a crise financeira e económica internacional não é "justificação suficiente" para o estado em que o país se encontra.
"Portugal atravessa uma grave crise económica com reflexos políticos e sociais preocupantes. A crise financeira e económica internacional não constitui justificação suficiente para o estado em que se encontra o país: torna-se evidente que, quando esta se desvanecer, a crise estrutural interna permanecerá", disse o herdeiro do trono português na tradicional mensagem do 1.º de Dezembro, que assinala a restauração da monarquia portuguesa em 1640.
Num discurso feito num jantar no Convento do Beato, Lisboa, o Chefe da Casa Real fez um diagnóstico muito duro da situação portuguesa, sublinhando que "onde não há justiça não há democracia".
UE sem alma
"O país está doente e maltratado. Adivinham-se tempos difíceis: as instituições do Estado estão fragilizadas; o desemprego aumenta e a pobreza alastra; o sistema educativo tem sido contestado por alunos e professores; a insegurança, a criminalidade organizada - violenta e económica - e a corrupção, multiplicam-se; o poder judicial está ameaçado por falta de meios materiais e por legislação absolutamente desajustada das realidades", disse D. Duarte de Bragança.
O Chefe da Casa Real destaca que "são muitas as vozes autorizadas e insuspeitas - como as da Cáritas e da AMI - que têm vindo a alertar para a vergonha da pobreza estrutural que existe no nosso País - acima dos 40%", e diz que chegou o momento de o Estado colaborar com as associações de voluntários "que generosamente trabalham para resolver os problemas", dando como exemplo as Santas Casas da Misericórdia.
D. Duarte defende ainda a "promoção da Lusofonia e solidariedade entre os países membros da CPLP, como uma causa de importância decisiva do nosso futuro comum" e diz que a presença de Portugal na União Europeia é um "válido projecto político e económico comum" mas a quem falta "uma alma" em virtude da UE não reconhecer "a matriz cristã" da cultura portuguesa.
Desgaste sem precedentes na família
O Chefe da Casa Real exorta também os portugueses a preservarem "instituições fundamentais da sociedade como a família", que considerou estar sujeita a um desgaste sem precedentes visando a sua dissolução".
"Ela [família] é, na verdade, a base da construção de uma sociedade fortalecida no espírito de entreajuda, respeito pela vida humana e formação responsável, valores que, só no seu seio, são susceptíveis de ser naturalmente assimilados. Só por esta via, sairá reforçada a liberdade de consciência que permitirá, a cada um e a todos, resistir, preservando-a das crescentes tentativas abusivas de ingerência externa que pretendem impor novos conceitos de "família". É na família, e não pelo Estado, que já hoje - e como o futuro próximo se encarregará de demonstrar - se desenvolve incondicionalmente o verdadeiro espírito de solidariedade para com os seus membros mais necessitados, seja na doença ou na pobreza", sublinha D. Duarte.
O herdeiro do trono português critica ainda "o despesismo" das comemorações do centenário da República, mas prefere guardar para mais tarde outros comentários sobre esta questão. Sublinha ainda a "permanência vitalícia na Monarquia", afirmando que "não é por acaso que, as Democracias mais desenvolvidas e estáveis da União Europeia são Monarquias"
A 01 de Dezembro de 1640 Portugal restaurou a sua independência em relação à coroa espanhola.


