Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Um coche na casa nova

  • 333

Embalado como uma joia frágil, o Landau do Regicídio foi o primeiro coche a abandonar o antigo museu e a entrar no novo edifício. Um momento simbólico que antecede a grande festa de inauguração do novo edifício do Museu dos Coches, a 23 de maio.

A carruagem onde o rei D. Carlos I foi assassinado em 1908 foi o primeiro coche a entrar no novo edifício do Museu, em Lisboa. O momento simbólico aconteceu esta segunda-feira de manhã.

No hall do velho Picadeiro Real do Palácio de Belém, o Landau do Regicídio foi embalado cuidadosamente com papel almofadado e plástico aderente para que nada lhe pudesse tocar nem fazer mossa. A viagem era curta. Depois de bem acomodado, foi empurrado à mão por quatro homens, passou a loja do museu, viu a luz do sol por breves instantes e entrou num camião que o levou diretamente para o outro lado da rua, onde fica situado o novo edifício do Museu dos Coches.

A "grande festa", porém, como lhe chama Nuno Vassalo e Silva, diretor-geral da DGPC (Direção-Geral do Património Cultural), será a 23 de maio, data em que o novo espaço museológico será finalmente inaugurado e em que se celebram 110 anos da abertura do velho museu.

A obra do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha esteve fechada mais de dois anos depois de estar concluída por lhe faltar a sinalética museológica e estar inacabado o passadiço que liga o museu de Belém à beira Tejo.

Mas agora, por decisão de Jorge Barreto Xavier, secretário de Estado da Cultura, o novo Museu dos Coches abrirá mesmo as portas sem que esses pormenores estejam finalizados. O passadiço demorará ainda "algum tempo" a estar terminado, diz Nuno Vassalo e Silva. 

Depois do Landau, o último carro a entrar na coleção de coches reais, precisamente em 1984, teve honras de inaugurar o novo espaço, mas estará muito pouco tempo sozinho. Faseadamente, durante aproximadamente um mês, setenta coches vão fazer-lhe companhia.