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Tenham medo, muito medo...

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"Pseudonym", do francês Thierry Sebban

O Fantasporto, que já vai na 35ª edição, abriu com um fim de semana cheio de fitas fantásticas e algumas metem mesmo medo.

O cinema fantástico e os tempos de crise sempre se deram bem. Nada melhor do que a fantasia para exorcizar tempos difíceis. Ou não fossem clássicos como "King Kong", "Frankenstein" ou "Dracula" (interpretado por Bela Lugosi) do tempo da Grande Depressão.

O horror puro e duro tem sido uma das marcas desta 35ª edição do Fantasporto. Todas as variantes são exploradas, em sessões que começam por volta da uma da tarde e terminam alta madrugada, com público predominantemente jovem.

Desde uma sucessão de exorcismos de demónios que afinal era um equívoco trágico ("Asmodexia" do espanhol Marco Carreté), aos perigos do engate pelo Facebook ("Pseudonym" do francês Thierry Sebban) ou aos psicopatas que se escondem numa aldeia aparentemente tranquila ("Awaiting" do britânico Mark Murphy).

Mas há outros demónios, porventura piores, a atormentar-nos. É o caso da Coreia do Sul, onde o sucesso não importa a que preço e a obediência cega à hierarquia têm custos humanos tremendos. Isso mesmo é relatado por Kim Ki Duk em "One on One", história trágica de um grupo de justiceiros que persegue os corruptos e seus subordinados, usando processos tão maus como os do inimigo. E que termina com uma cena notável, rodada nas colinas sobranceiras a Seoul, onde ainda há trincheiras, bunkers e marcas dos bombardeamentos da guerra de 1950/53.

"Haemoo", de Shim Sung-Bo, abriu a edição deste ano do Fantas

"Haemoo", de Shim Sung-Bo, abriu a edição deste ano do Fantas

Dessa mesma Coreia do Sul veio o filme de abertura, "Haemoo" de Shim Sung-Bo sobre o drama da imigração clandestina em alto mar, algo que conhecemos bem do Mediterrâneo. Uma fita tremenda que mostra até onde podem ir pescadores à beira da falência, manipulados por redes mafiosas de tráfico de seres humanos.

E, para terminar com uma nota menos tétrica, uma abordagem muito diferente da emigração: "Hassan's Way" do espanhol Ernesto de Nova. Um filme que parece um "remake" de "Straight Story" de David Lynch e que, baseado num caso real, conta a saga de um emigrante que quer levar de volta para Marrocos um trator a cair de podre, nem que, para isso, tenha de atravessar meia Espanha, sem dinheiro nem direito a andar pelas estradas nacionais...