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Teatro

Da palavra ao espetáculo

O poeta Daniel Faria

A peça “Daniel Faria”, de Pablo Fidalgo, inaugura dia 19 no Teatro Nacional D. Maria II um ciclo inspirado na palavra poética

Pablo Fidalgo vem da Galiza, e está em Portugal há cerca de quatro anos. Tem feito espetáculos, mas a sua relação com Portugal passa também, em grande parte, pela sua relação com a literatura portuguesa, nomeadamente com a poesia. É daí que vem o seu amor pela obra de Daniel Faria, que Pablo Fidalgo leu pela primeira vez em espanhol. Fala com gosto evidente das primeiras edições dos livros do poeta que, pode dizer-se, passou a fazer parte da sua vida.

Daniel Faria teve uma vida breve (1971-1999). Nasceu no Norte, perto do Porto, e desde cedo, mais do que ajudar a família no campo, mais do que jogar futebol, mais do que ir à praia, gostava de ler, ler tudo. Entrou no seminário muito cedo, por vontade própria, e quando morreu estava a terminar o noviciado no Mosteiro de Singeverga. Se a literatura era indissociável da sua vida, se a escrita de poesia era tão natural e necessária como respirar, a sua voracidade relativamente a tudo o que era arte era também parte de si: cinema, teatro, artes plásticas, música. Se a sua obra poética é atravessada por uma preocupação mística fundamental, a sua relação com Deus e com as espinhosas questões da Fé não impediam uma vida mundana dominada pela entrega aos amigos e por uma generosidade que aparece como traço marcante em todos os testemunhos da sua biografia.

Pablo Fidalgo inaugura com este “Daniel Faria” uma série que o D. Maria II intitulou “Estúdio Poético”, e que compreende três espetáculos, independentes entre si, concebidos a partir de três escritores — os outros são “Força Humana”, de António Fonseca e José Neves, a partir de Luís de Camões, de 26 a 29 de janeiro, e “Rosto, Clareira e Desmaio”, de Susana Vidal, a partir de Miguel Manso, de 9 a 12 de fevereiro.

Para este “Daniel Faria”, Pablo Fidalgo pensou num conjunto de diálogos sobre o escritor. Não se trata apenas da obra, ou apenas da biografia, ainda por fazer. Trata-se de falar do escritor, do artista plástico e do encenador, tudo aquilo que Daniel Faria também era. Trata-se, ainda, de chamar a atenção para a figura e para a obra de um dos maiores poetas portugueses contemporâneos, menos divulgado, até agora, do que merece e seria de esperar. E trata-se, enfim, e como não poderia deixar de ser, de estabelecer um vínculo particular entre literatura e espetáculo, entre leitura e teatro, entre palavra e representação — os fios, aliás, que unem, para além de sua diversidade, as três realizações de “Estúdio Poético”.

“Daniel Faria” tem interpretação de Pablo Fidalgo e de Tiago Gandra, e colaboração artística de Vítor Roriz.

Daniel Faria

De Pablo Fidalgo

TNDM II, Lisboa, 19 a 22 de janeiro, 21h30 (de quinta a sábado) e 16h30 (domingo)