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John Zorn vai dominar todo o Jazz em Agosto 2018

Nick Ruechel

O Jazz em Agosto 2018 dedica a sua programação ao saxofonista e compositor John Zorn. Serão 22 concertos e seis filmes durante 10 dias, com o homenageado a tocar por três vezes

Pela primeira vez na sua história, o Jazz em Agosto vai dedicar toda a sua programação a um só músico: John Zorn. A decorrer entre 27 de julho e 5 de agosto, o festival de jazz da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, aposta forte num nome que sempre esgotou as lotações quando por ali passou. Em 2013, o saxofonista e compositor norte-americano ocupou uma boa parte do cartaz do JeA com o programa Zorn@60 que celebrava o seu 60º aniversário, mas agora está de regresso com uma amplitude rara por cá.

O universo musical de John Zorn irá ser explorado em 22 concertos e seis filmes. Zorn vai tocar três vezes: no concerto de abertura, dia 27 de julho, no Anfiteatro ao Ar Livre (AAL), com uma formação inédita (Thurston Moore na guitarra elétrica e Milford Graves na bateria); no dia seguinte, também no AAL, liderando os Masada (Dave Douglas no trompete, Greg Cohen no contrabaixo e Joey Baron na bateria); e dia 29, no Grande Auditório, numa nova versão de The Hermetic Organ, na qual toca órgão de tubos acompanhado por Ikue Mori em laptop.

O Anfiteatro ao Ar Livre acolherá quatro noites de concertos duplos dedicados às composições de Zorn nas séries “Book of Angels” e “Bagatelles”. Dia 28, antes de Masada, o Mary Halvorson Quartet (Miles Okazaki, Drew Gress e Tomas Fujiwara) toca o volume final do “Book of Angels”; dia 30, há “Bagatelles 1” pelo Nova Quartet (John Medeski, Kenny Wollesen, Trevor Dunn e Joey Baron) e pelo trio Asmodeus (Dunn com Marc Ribot e Kenny Grohowski); dia 1, “Bagatelles 2” pelo Kris Davis Quartet e pelo John Medeski Trio; e dia 4, “Bagatelles 3” por Craig Taborn (piano solo) e pelo Brian Marsella Trio.

O palco principal do festival recebe ainda os grupos Simulacrum (Medeski, Grohowski e Matt Hollenberg), dia 31, Highsmith Trio (Mori, Taborn e Jim Black), dia 2, Insurrection (Hollenberg, Dunn, Grohowski e Julian Lage), dia 3, e os Secret Chiefs 3 a tocarem Masada no concerto de encerramento, dia 5.

Este ano o Grande Auditório da Gulbenkian terá um papel importante ao acolher três eventos no mesmo dia, 29 de julho: o já referido concerto de Zorn em órgão de tubos; o filme “John Zorn (2016-2018)”, de Mathieu Amalric (com a presença do realizador); e “Jumalatteret”, um ciclo de canções inspirado no épico finlandês “Kalevala”, com música de Zorn, interpretado pelo soprano Barbara Hannigan e pelo pianista Stephen Gosling.

O Auditório 2 recebe seis concertos, sempre às 18h30. Dia 30, os portugueses The Rite of Trio; dia 1 o flautista Robert Dick; dia 2, os portugueses Slow Is Possible; dia 3, o quarteto de guitarras elétricas Dither a tocar “Game Pieces” de Zorn; dia 4 o trio Trigger com “Bagatelles and Apparitions” de Zorn; e dia 5 os guitarristas Julian Lage e Gyan Riley (filho de Terry Riley que também toca nos Dither) com um repertório de composições de Zorn. Segundo o comunicado que anuncia o festival, a escolha dos grupos portugueses baseou-se no facto de que “partilham com John Zorn um mesmo universo musical”. Todas as outras formações no programa ou foram concebidas por Zorn, ou tocam composições suas, ou foram editadas pela sua Tzadik.

Por fim, a oferta do Jazz em Agosto 2018 completa-se com filmes da editora Tzadik na Sala Polivalente do Museu Calouste Gulbenkian – Coleção Moderna: dia 31, às 18h30, há um filme-concerto com Ikue Mori a compor em tempo real a banda sonora para “Pomegranate Seeds”. As restantes são sessões de cinema, sempre às 17h: dia 2 “Bhima Swarga — The Journey of the Soul from Hell Heaven”, igualmente de Ikue Mori; dia 3 “John Zorn The Book of Heads - 35 etudes for solo guitar performed by James Moore”, de Stephen Taylor; dia 4 “Celestial Subway Lines / Salvaging The Noise”, de Ken Jacobs; e dia 5 “Between Science and Garbage” de Pierre Hébert com música de Bob Ostertag.

Nota final para o facto de a imagem gráfica desta edição do festival ter sido especialmente desenvolvida por Heung-Heung Chin, designer exclusiva da Tzadik.

Os bilhetes mais caros, a €20, são os dos dois primeiros dias: Zorn / Moore / Graves (a 27) e Mary Halvorson Quartet + Masada (a 28); seguem-se, a €18, os três concertos “Bagatelles”; a €15 os concertos John Zorn & Ikue Mori, Simulacrum, Highsmith Trio, Insurrection e Secret Chiefs 3; a €5 os concertos no Auditório 2; e com entrada gratuita (mediante levantamento de bilhete a partir de 1h antes do início de cada evento) Barbara Hannigan & Stephen Gosling (dia 29) e todos os filmes, incluindo o filme-concerto de Ikue Mori (dia 31).

A Gulbenkian vai pôr à venda ainda várias modalidades de passes: Anfiteatro & Grande Auditório (10 concertos) a €135; Passe fim-de-semana 1 (para os dias 27, 28 e 29 de julho às 21h30) a €45; Passe fim-de-semana 2 (para os dias 3, 4 e 5 de agosto às 21h30) a €40; e Passe Auditório 2 (para os concertos de 30 de julho, 1, 2, 3, 4 e 5 de agosto às 18h30) a €15.