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Em Dylan, academia e vivência unem-se na FCSH

"I Am Not There", conferência internacional dedicada à obra de vida de Bob Dylan, instala-se na faculdade lisboeta durante os dias 18 e 19 de maio.

Pedro Henrique Miranda

Bob Dylan

Bob Dylan

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É um dos poucos nomes que se pode considerar incontornável na cultura popular do século XX. Contagiou multidões com a voz, uma harmónica e uma guitarra acústica ou elétrica, intrigou estudiosos pela intervenção e pela introspeção, ajudou a impulsionar os Beatles e deu nome aos Stones. Inscreveu o seu nome na história da cultura popular e, meio século depois da sua época dourada, foi ainda agraciado com um Nobel de Literatura. É perante figura de tamanha dimensão que a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/UNL) vê a necessidade de acolher "I Am Not There" - uma conferência internacionalmente abrangente de discussão, partilha e celebração da obra de vida de Bob Dylan.

Promovida por dois centros de investigação da faculdade pública, a conferência promove, ao longo dos dias 18 e 19 de maio, debates com personalidades nacionais como José Mário Branco, Pedro Mexia ou Samuel Úria acerca do legado indelével deixado por Dylan, para além de contribuições de académicos e investigadores de proveniências tão distintas quanto a Sérvia, o Reino Unido, a Eslováquia, a Finlândia ou a Holanda. Será, nas palavras dos professores e membros do comité organizador Rogério Puga e Paula Gomes Ribeiro, uma oportunidade dupla para "fazer o ponto de situação acerca da obra de Dylan e, simultaneamente, expô-la às gerações mais novas, permitindo o envolvimento ativo dos alunos".

Para além de conversas e mesas redondas, a conferência promove dois concertos de tributo a Dylan - pelos alunos da faculdade e pela banda londrina Arable Desert - e ainda o visionamento de "I'm Not There - Não Estou Aí", filme de Todd Haynes inspirado nas várias personalidades exibidas por Dylan ao longo da sua carreira de quase seis décadas, uma obra que reforça, na opinião dos organizadores, "a necessidade de pensar a investigação cultural não como uma ratificação das posições do autor, mas sim como a exploração das suas diferentes facetas". Uma iniciativa louvada pela Associação de Estudantes da FCSH, que colaborou com a organização do evento "por homenagear a figura de um cantautor que abrange várias frentes, pelo legado que deixou e pelo interesse que representa para os estudantes da faculdade".

"Este é o primeiro grande evento académico dedicado a Dylan desde a atribuição do Nobel de Literatura", menciona Rogério Puga, "o que levantou questões sobre a figura e possibilitou alguma reflexão acerca do seu trabalho enquanto músico e escritor". E ainda que o próprio Dylan se tenha recusado a comparecer à cerimónia de entrega do prémio, Paula Gomes Ribeiro refere que "a função da academia é estudar tudo, mesmo aquilo que não se presta a ser estudado". "Bob Dylan contradiz-se de forma propositada, para manter a sua obra aberta e intemporal", acrescentam, o que justifica que o título da conferência expresse uma ideia de ausência quando, na verdade, "Dylan está lá sempre".

O programa completo da Conferência Internacional "I Am Not There" pode ser consultado no sítio oficial da FCSH/UNL.