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Música

Orquestra do Hot Club reinventa Pinho Vargas no CCB

“A Dança dos Pássaros”, espetáculo de reinterpretação dos temas de jazz de António Pinho Vargas, regressa aos palcos esta sexta-feira para mais uma homenagem ao compositor

Pedro Miranda

António Pinho Vargas

António Pinho Vargas

Ana Baião

Os ritmos não são os mesmos de outrora. A instrumentação, mais rica em quantidade e vibrante em volume, tão pouco. A orquestração, delegada a diferentes mentes da esfera jazzística, muito menos. E as frases melódicas, permanecem? Apenas a ponto de serem reconhecidas, e somente pelos ouvidos mais atentos aos trabalhos de outros tempos. Tal é a transformação aplicada pela Orquestra de Jazz do Hot Club Portugal às incursões à música de António Pinho Vargas. Registada num disco com o mesmo nome, lançado no final de 2016, o coletivo da escola de jazz lisboeta volta aos palcos para apresentar "A Dança dos Pássaros" esta sexta-feira, 5, no Centro Cultural de Belém.

São oito as canções de Pinho Vargas tocadas pela orquestra do Hot Clube, com arranjos por César Cardoso, Luís Cunha, Óscar Graça e Tomás Pimentel, e dispostas no formato big band, que em muito difere do quarteto ou do sexteto empregues pelo compositor na gravação original dos seus discos de jazz, nos anos 80 e 90: entre saxofonistas, trombonistas e trompetistas, para além da habitual secção rítmica acompanhada de guitarra e piano, são dezoito os jovens músicos do Hot Clube a protagonizar a reimaginação dos temas de "Cores e Aromas" (1985), "As Folhas Novas Mudam de Cor" (1987), "Os Jogos do Mundo" (1989) e "A Luz e a Escuridão" (1996).

O resultado traduz-se, nas palavras do próprio Pinho Vargas, em registos nos quais "a presença da versão original dos meus discos antigos é sempre transformada mas mantém um vislumbre claro ou vago, depende, da sua proveniência original". Uma "adaptação/criação" segundo Luís Cunha, trompetista e diretor artístico da Orquestra: "Não nos limitámos a instrumentar os temas: o factor criação com mote nos mesmos trouxe-nos coisas muito divertidas, secções diferentes, solos, outras portas que se abriram a partir dos originais".

Desta forma, de um jazz modernista, como aquele gravado por Pinho Vargas, que teimava em experimentar com sintetizadores e adaptar influências de outras músicas do mundo, chega-se, então, a uma releitura num tom marcadamente mais clássico, com raízes nas orquestrações grandiosas de Duke Ellington ou cunhos sonoros reminiscentes de Charles Mingus ou John Coltrane - também eles autores já interpretados pelo colectivo do clube e escola de jazz.

"A Dança dos Pássaros" é interpretada na íntegra no Pequeno Auditório do CCB esta sexta-feira, a partir das 21h.