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VOA, VOA, VOA... até à Quinta do Ega

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Durante três dias - começou esta sexta-feira - há metal em Vagos. Melhor, há VOA, acrónimo para Vagos Open Air. Vamos contar-lhe os mistérios deste festival de música pesada e temos canções para acompanhar (recomendamos bons phones e mente disponível)

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

Quem domina e aprecia metal sabe perfeitamente o que é o VOA ou já ouviu falar deste acontecimento. Para quem este festival é desconhecido, vamos a isto.

Vagos estremece desde 2009: um festival de verão sem o mediatismo dos que chegam às televisões generalistas entrou pelo distrito de Aveiro adentro, em pleno agosto, e por lá se manteve e mantém - agora na Quinta do Ega. Sobrevive com investimento próprio, apoio da autarquia e tem o selo do Turismo do Centro.

“A capital do metal é Vagos.” O slogan tem enunciador autárquico: Silvério Regalado, 36 anos, presidente da Câmara local. Na primeira vez que foi ao VOA vestiu-se de preto e levou sapatos de vela - o preto enquadrou-se bem, o sapato nem tanto. É o próprio que conta e ironiza com a aventura - na altura era ainda vereador -, mas o VOA é assunto sério para o autarca - é que a economia local vibra com os metaleiros. Música traz gente, gente traz dinheiro para comer e beber, dormir e viver.

Se houvesse o caso de alguém temer o comportamento de homens e mulheres, de rapazes e raparigas vestidos de negro para ouvir canções pesadas e aceleradas, nada a recear - só a elogiar. “São absolutamente exemplares, pacíficos, diria até pessoas com um nível cultural acima da média”, explica o autarca. Silvério Regalado não dispõe de números, mas sublinha o crescimento “de ano para ano” do festival. Pela primeira vez, a Câmara irá medir o impacto económico, explica ao Expresso.

Investimento de €350 mil

Manter um festival não é fácil. E parar no tempo não dá. Esta é a sétima edição. “O investimento deste ano ronda os 350 mil euros”, diz ao Expresso Carlos Marreiros, da Prime Artists, que organiza o VOA, que é preparado com “14 meses de antecedência”. O desafio em manterem-se vivos passa por “um crescimento sustentável de ano para ano”. Alargaram para os três dias e os artistas são de outro nível e cachês. Ano de prejuízo já tiveram. Em 2013, auge da recessão em Portugal. “Em dois dias estávamos a contar com dez mil pessoas e acabámos com oito mil”. A retração notou-se em todos os eventos da produtora.

O VOA não é de massas, já se sabe, e por isso as marcas não lhe têm prestado atenção, lamenta Carlos Marreiros. O ano passado foi bom, a uma média de 5500 pessoas por cada um dos três dias, e as informações de que dispõe neste momento são animadoras. Esta sexta-feira já “ultrapassou a venda de bilhetes da sexta-feira da anterior edição”. Espera superar as 18 mil pessoas até domingo.

O cabeça de cartaz desta noite poderá justificar a maior afluência. A banda holandesa de rock sinfónico Within Temptation encerra este dia 7.

Parte importante dos metaleiros do VOA chega de Espanha - 20% por cento - segundo números da produtora, mas há nacionalidades de outros países da Europa e continentes: Brasil, Chile, Irlanda, Rússia e Austrália. O bilhete diário custa 32 euros, o passe dos três dias 65. Para quem quiser aproveitar umas miniférias, há hipótese de campismo e as crianças até aos 12 anos não pagam. Nota relevante: em todas as edições houve bandas portuguesas - a regra é para manter.

Agora, mais destaques do cartaz. Os Amorphis estão por Vagos e o momento é especial: andam na estrada a assinalar os 20 anos do disco que lhes mudou a vida, “Tales From The Thousand Lakes”. É daqueles álbuns essenciais para quem aprecia o movimento e a canção que vem em baixo é das mais simbólicas.

Já os alemães Heaven Shall Burn (melodic death metal) não pisavam solo português há dez anos.

Os norte-americanos Black Label Society são cabeça de cartaz este sábado. O último álbum, “Catacombs of the Black Vatican”, tem um aninho.

Bloodbath, o supergrupo sueco de death metal, estreia-se em Portugal. São eles que encerram o festival.

O cartaz da edição 2015