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Rita no País das Maravilhas (Pilates político com António Costa)

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Depois dos discos, dos espectáculos e da música para filmes, Rita Redshoes publica o seu primeiro livro na próxima semana. É uma estreia de sonhos: trata-se de um livro em que estão escarrapachados 40 sonhos de Rita Pereira. O Expresso Diário revela em exclusivo que sonhos são esses.

Não cabe aqui discorrer sobre o significado, nem tampouco a interpretação, dos sonhos de Rita Redshoes. Ela que em 1996 já cantava com os Atomic Bees. Que em 2003 atuava como teclista ao lado de David Fonseca. E que em 2008 fez publicar o seu primeiro álbum a solo. “Sonhos de uma Rapariga Quase Normal” é editado a 20 de maio, pela Guerra & Paz, e desse livro não se pode dizer, como Álvaro de Campos dizia das cartas de amor de Fernando Pessoa, que todos os sonhos de Rita Redshoes são rídiculos. O Expresso publica esta sexta-feira o último desses sonhos.


   para ouvir enquanto lê o que aí vem

Pilates político com António Costa

Era um barco gigante, um destes paquetes de cruzeiro. O céu estava muito escuro e o vento levantava tudo. Estava cercada por gente que nunca tinha visto e não percebia o que estava ali a fazer. Parecia-me um evento social, uma espécie de festa de comemoração de qualquer coisa que eu desconhecia. Decidi encostar-me a um dos lados do barco a beber uma taça de vinho branco. Tinha a certeza que ia começar a chover a qualquer instante e que aquele ambiente festivo iria terminar muito em breve.

Meu dito, meu feito, uma voz masculina falou num altifalante: "Senhoras e senhores, teremos de regressar a terra imediatamente porque as condições climatéricas estão a piorar e o mar está a ficar terrivelmente agitado".

Instalou-se a histeria e o medo. Era pessoas a correr de um lado para o outro com copos nas mãos, umas gritavam por socorro, outras tentavam saltar do barco, o caos tinha chegado para ficar. Eu, com a maior calma do mundo, limitei-me a esperar que o barco conseguisse chegar a terra e atracasse para saltar dali para fora.

Não demorou muito e foi mesmo isso que aconteceu. Quando vou a saltar do barco, olho para o lado e vejo António Costa, na qualidade de presidente da Câmara de Lisboa, juntamente com a sua comitiva, a tentar saltar também. Abri-lhe uns olhos indignados, como quem diz «eu estava primeiro», e ele acedeu a deixar-me passar. Fiz-lhe um sorriso e segui. Juntei-me à multidão que estava no cais à espera de instruções sobre o que fazer, visto que, por um lado, a festa não se realizara e que, por outro lado, o mar estava cada vez mais bravo.

– Seguiremos a pé! – gritou António Costa. – Vamos junto ao rio ver as novas obras que foram feitas nesta cidade.

E lá fomos, multidão e presidente junto ao Tejo. Por alguns minutos, contemplámos os monumentos, os jardins, os passeios e a calçada à portuguesa, mas a chuva era tanta, o vento tão forte e o frio tão insuportável, que teve de se dar por concluída a visita.

Eu não sabia bem onde estava, em que parte da cidade ou rua, mas resolvi cortar a direito por baixo de uns toldos. À minha direita, chamou-me a atenção, numa das montras, uma senhora a fazer exercícios de pilates. Resolvi entrar para perceber se se tratava de um ginásio.

– É sim, temos aulas de várias modalidades.

– Eu só gosto de pilates. Qual é o horário e o preço?

– O preço, só lhe digo depois de fazer uma das aulas. Se quiser, pode começar já.

Como não tinha nenhum compromisso e a chuva não parava, aceitei o convite.

O balneário era muito pequeno, mas tinha um relógio de parede gigante e pondo-se uma moeda numa máquina, saía um equipamento completo. Foi o que fiz.

Equipada, dirigi-me à sala e sentei-me à espera da professora. Era uma rapariga novinha, muito branca e de cabelos loiros.

– Vamos esperar um bocadinho que ainda faltam alguns alunos, pode ser?

– Sim, claro – respondi.

E pela porta da sala começaram a entrar umas senhoras mais velhas a rir às gargalhadas e logo atrás António Costa, com um fato de treino azul-marinho.

A sala era pequena, os colchões grandes demais. Pensei que mal tentasse esticar uma perna atingiria algum dos alunos. Foi o que aconteceu. Por causa do meu pontapé, a professora resolveu juntar-nos dois a dois e fazer os exercícios desta maneira.

António Costa era da minha altura. Ficámos juntos na aula de pilates. Depois de alguns exercícios, e apesar do constrangimento de estar a fazer pilates com o presidente da Câmara em fato azul-marinho, dei-me por muito satisfeita: mas que grande elasticidade que eu tenho!

 

  • Rita no País das Maravilhas

    Depois dos discos, dos espectáculos e da música para filmes, Rita Redshoes publica o seu primeiro livro na próxima semana. É uma estreia de sonhos: trata-se de um livro em que estão escarrapachados 40 sonhos de Rita Pereira. O Expresso Diário revela em exclusivo que sonhos são esses.

  • Rita no País das Maravilhas (parte 2)

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  • Rita no País das Maravilhas (parte 3)

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  • Rita no País das Maravilhas (parte 4)

    Depois dos discos, dos espectáculos e da música para filmes, Rita Redshoes publica o seu primeiro livro na próxima semana. É uma estreia de sonhos: trata-se de um livro em que estão escarrapachados 40 sonhos de Rita Pereira. O Expresso Diário revela em exclusivo que sonhos são esses.