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Cultura

RTP 2 apresenta nova grelha e posiciona-se como canal alternativo aberto à produção europeia e do mundo

"Borgen", série dinamarquesa, é uma das novas apostas

Dirigida a partir do Centro de Produção do Porto, a 2 quer reconquistar audiências e espera chegar aos 4% no final do primeiro trimestre

De janeiro a abril do próximo ano, a RTP 2 vai apresentar um conjunto de programas originários de 40 países diferentes. O que poderia ser apenas um número assume-se como um sinal de identidade e uma demonstração dos caminhos que o canal pretende trilhar: aberto à produção portuguesa, muito atento à criação europeia, e disponível para se abrir a outras latitudes do mundo, sem perder de vista ou ostracizar a produção norte-americana.

Passou por aqui o essencial da mensagem divulgada esta segunda-feira por Elísio Oliveira, diretor de programas, na apresentação da nova grelha para o próximo ano. Acompanhado de Hugo Gilbelto, subdiretor de informação, e Teresa Paixão, gestora do canal, Oliveira destacou a estreia, já no próximo dia 5 de janeiro, da série dinamarquesa "Borgen", muito centrada nos combates políticos, nos jogos de poder, nas pequenas traições ou nos grandes dilemas enfrentados por uma mulher que, candidata por um Partido Popular, chega ao cargo de primeira-ministra.

Na véspera estreia "O Paraíso", uma produção com o selo BBC. Trata-se de uma série de época inspirada no romance "Au Bonheur des Dames", de Émile Zola.

Ciclo Ingmar Bergman

No cinema será assegurada uma programação organizada à volta de temas ou de ciclos dedicados a diferentes realizadores. Já em janeiro arranca um espaço dedicado a Ingmar Bergman. Segue-se Hitchcock, mas está prevista a presença de várias cinematografias do mundo.

A ideia central é oferecer na RTP 2, numa base regular, e em horário nobre, o que não passa ou só muito dificilmente aparece nos restantes canais generalistas ou de cabo.

Séries às 22h00 

As séries, programadas para as 22h00, serão apresentadas de forma continuada, numa base diária, e não em episódios semanais, como é mais comum.

Depois, na grelha já definida, de segunda a quinta-feira, a partir das 23h00, haverá um conjunto de propostas nacionais, como "Visita Guiada", de Paula Moura Pinheiro, ou "Literatura Agora", com apresentação de Pedro Lamares, que não será um programa sobre livros, mas antes sobre as diferentes presenças da literatura no nosso quotidiano, com espaço para as livrarias, as bibliotecas ou a leitura de poesia e prosa por Lamares e Filipa Leal. Para falar de ou com escritores estará o "Contentor 13", realizado na LX Factory. Em 13 programas será abordada a vida e obra de 13 escritores: valter Hugo mãe, João Tordo, Lídia Jorge, José Luís Peixoto, Afonso Cruz, Gonçalo M. Tavares, Luísa Fontes da Cunha, Manuel Jorge Marmelo, Luís Miguel Rocha, Patrícia Reis, Mário de Carvalho, Richard Zimler e Ondjaki.

Produção portuguesa 

Em "Palcos Agora", Filomena Cautela constrói reportagens à volta das companhias artísticas e aos espaços que acolhem as suas produções.

Às quintas-feiras é tempo de "O povo que ainda canta", realizado por Tiago Pereira. Com 26 episódios, vai percorrer Portugal de Norte a Sul para documentar o modo como os portugueses vivem, se relacionam e se assumem como protagonistas da música que cantam ou tocam.

Com a informação a manter-se às 21h00 ao longo de toda a semana, os sábados à noite serão o espaço dos ciclos de cinema e dos concertos de música portuguesa, e os serões de domingo ficam para as séries de época e os concertos de músicas do mundo.

Como dizia Teresa Paixão, a "RTP 2 não concorre com nada, nem com ninguém, no sentido em que os projetos que apresenta são diferentes" da generalidade da oferta existente nos restantes canais.

Dirigido a partir do Centro de Produção do Porto da RTP, o canal 2 tem na grelha vários programas concebidos no Porto ou na região Norte, mas não resulta daí qualquer vertente regionalista. Atento à programação da Casa da Música, de Serralves, mas também do CCB ou de outras estruturas nacionais, o canal acaba, até, por ser o espaço onde se cruzam ou onde são chamados a pronunciar-se sobre os mais diversos temas especialistas de todo o país.

Depois de um período de forte desinvestimento, do qual resultaram graves consequências para a notoriedade do canal, os responsáveis pela 2 apostam agora numa renovação e num conjunto de ações de divulgação da programação. O objetivo é tentar chegar aos 4% de audiência no final do primeiro trimestre de 2015.