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Que coisa são as nuvens? José Tolentino Mendonça responde

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"Que Coisa são as Nuvens" está organizado em três partes, todas elas com o nome de um pequeno filme de Pier Pablo Pasolini a encimar a secção. O livro de crónicas foi apresentado na Cinemateca Portuguesa

Nuno Botelho

Um novo livro de crónicas, inéditas neste formato, levou o teólogo a escolher para título o do espaço que assina na revista E. Dividido em três partes - assumindo cada uma delas o título de uma obra cinematográfica de Pier Paolo Pasolini -, o volume é uma edição exclusiva do Expresso.

José Tolentino tem um novo livro onde reúne as melhores crónicas já publicadas no Expresso. O lançamento aconteceu esta tarde na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, e contou com apresentação de Miguel Sousa Tavares.

O que nos salta de imediato à vista é o título: "Que Coisa São As Nuvens?", um nome conhecido dos leitores da Revista que ganha uma relevância maior quando explicado. Para o teólogo e cronista, "era muito importante dar a estas crónicas como título uma pergunta. Uma pergunta que nos remetesse para um espanto, uma pergunta universal que todos os homens fazem a eles mesmos". As respostas encontradas vão sendo diferentes, mas uma das características mais impressionantes destas massas em movimento é o facto "de poderem ser observadas de todos os pontos de vista". 

Quando ao processo de seleção das crónicas para este novo livro, José Tolentino Mendonça optou por "conservar apenas as que ainda não tinham sido publicadas em volumes anterior, possibilitando o encontro de material inédito em livro". São textos que mantêm "entre si uma correspondência - mais secreta ou mais explícita -", de modo a que o resultado final reflita o trabalho de cronista, "uma espécie de romancista do quotidiano".

Miguel Sousa Tavares apresentou o novo livro de Tolentino Mendonça

Miguel Sousa Tavares apresentou o novo livro de Tolentino Mendonça

Nuno Botelho

"Que Coisa são as Nuvens" está organizado em três partes, todas elas com o nome de um pequeno filme de Pier Paolo Pasolini a encimar a secção. A primeira, "Comícios de Amor", trata as problemáticas do presente, do aqui e do agora, de uma vida caracterizada pelo ambiente em que vivemos. Na segunda, que se chama "Teorema", o cronista do Expresso decidiu tratar "as questões da crença e a reflexão sobre a espiritualidade em espaço público. Quanto à última parte, "A Terra Vista da Lua", reflete "sobre o amanhã, sobre aquilo que já hoje podemos pressentir do que serão as sendas, os caminhos e os atalhos daquilo que está por chegar". 

Na parte final da sessão de lançamento, José Tolentino Mendonça não deixou de contar uma pequena história. Quando era ainda uma criança à procura da melhor forma de nadar, ia pedindo indicações ao seu pai. Será que  - entre a atrapalhação e a excitação de se mover em meio aquático - já nadava? O pai respondia-lhe que sim.

O autor da obra, Tolentino de Mendonça, e Manuela Eanes

O autor da obra, Tolentino de Mendonça, e Manuela Eanes

Nuno Botelho

Agora, mais velho, o exercício da crónica semanal também o aflige, pois o ritmo dos jornais e os prazos de fecho acabam sempre por fazer das suas, impedindo o teólogo de "reler o trabalho uma última vez", coisa que já só consegue "fazer em papel, depois de publicado". No entanto, Tolentino Mendonça já consegue ficar mais descansado. É o próprio Miguel Sousa Tavares que lhe diz: mas tu estás a nadar. O teólogo continuará a nadar com o Expresso aos sábados, na sua crónica habitual na Revista E. O livro já está disponível para venda aqui e também nas bancas.