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Cultura

Prémio Vilalva distingue Museu Diocesano de Santarém

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O projeto de criação de um Museu de Arte Sacra no complexo da Catedral de Santarém venceu a oitava edição do Prémio Vasco Vilalva. No valor de 50 mil euros, este prémio, atribuído anualmente pela Fundação Gulbenkian, distinguiu a importância deste novo museu para a dinamização cultural da região.

O júri, constituído por Dalila Rodrigues, António Lamas, José Pedro Martins Barata, José Sarmento de Matos e Rui Esgaio, foi unânime na decisão sublinhando a "importância e abrangência do património recuperado", bem como o "resgate da perda iminente de um conjunto de peças de arte sacra" que incorpora agora o acervo do Museu de Arte Sacra.

O júri aplaudiu os "critérios e metodologias das intervenções" e a qualidade das equipas técnicas e artísticas envolvidas, realçando ainda "o carácter de exemplo e estímulo" que esta ação pode representar para outras dioceses.

O diretor do Museu Diocesano, padre Joaquim Ganhão, manifestou a sua alegria pela distinção, assumida com "profundo sentido de responsabilidade", exprimindo o desejo de que as "portas abertas" deste museu possam constituir "um veículo de inspiração e fonte de esperança para a valorização do património cultural português". Realçou ainda "o mérito profissional das empresas envolvidas e dos seus técnicos, cuja qualidade e experiência ditaram o sucesso de todas as intervenções".

O projeto premiado teve a coordenação geral do arquiteto Pedro Resende Leão e insere-se na Rota das Catedrais, uma iniciativa que envolve a Diocese de Santarém, a Direção-Geral do Património Cultural, com a colaboração do município de Santarém. As obras foram financiadas pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) através do Programa Operacional do Alentejo (Inalentejo).

O novo museu dispõe de três salas para exposições permanentes e temporárias e ainda uma sala de reservas. As obras de arte que compõem o seu acervo resultaram de um levantamento do património histórico-artístico desenvolvido, desde 2006, pela Comissão Diocesana para os Bens Culturais da Igreja, que deu a conhecer inúmeras peças de arte religiosa, do século XIII até ao presente.

Ao todo foram identificadas 220 obras de pintura, escultura, ourivesaria, talha, azulejaria, mobiliário litúrgico, têxteis, livros e documentos em pergaminho e em papel, provenientes do Fundo Antigo da Sé e Seminário de Santarém, bem como de inúmeras paróquias da diocese de Santarém.

Estas obras encontravam-se dispersas por todo um território ao longo das margens do rio Tejo, desde Vila Nova da Barquinha até Salvaterra de Magos, muitas em mau estado de conservação, pouco ou nada valorizadas e deslocadas da sua função original.