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Portugal vence dois "Óscares" da gastronomia

Academia Internacional de Gastronomia distinguiu o livro "À Mesa em Mação" e o chef David Jesus.

Não têm uma passadeira vermelha nem uma estatueta dourada com nome de cão, mas os prémios mais importantes da gastronomia mundial, decididos esta semana, elevaram dois gastrónomos portugueses entre os seus pares.

Armando Fernandes, autor do livro "À Mesa em Mação - Carta Gastronómica", e David Jesus, chef do restaurante Belcanto, de José Avillez, foram duas das personalidades que mais se distinguiram para a Academia Internacional de Gastronomia, que reuniu esta semana em Assembleia Anual, em Paris.

"À Mesa em Mação" ganhou o Prémio de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), tendo impressionado "os jurados pela profundidade do estudo gastronómico-social-antropológico de grande valor científico e cultural", segundo informação da Academia Portuguesa de Gastronomia - presente na Assembleia através do presidente José Bento dos Santos -, citada pela Câmara Municipal de Mação.

"Obviamente que foi uma alegria e que me afaga o ego", confessou Armando Fernandes ao Expresso. "Toda a investigação e tempo investidos são recompensados", acrescentou.

Lançada em julho de 2012, a "Carta Gastronómica" é uma investigação que compila os sabores e saberes da gastronomia do concelho de Mação, desde 1860, e que resulta de um trabalho de pesquisa, junto da população, sobretudo dos habitantes mais antigos.

Aos 68 anos, Armando Fernandes trabalha em consultoria cultural e é investigador da história da alimentação, gosto que mantém há quase 30 anos, quando começou a escrever sobre gastronomia enquanto percorria o país como inspetor de bibliotecas da Fundação Calouste Gulbenkian. 

"Este prémio obriga-me a ter mais responsabilidade em tudo o que digo e escrevo", explicou o gastrónomo, que está atualmente a pesquisar "em todo o território nacional" as receitas das "nossas sábias avós, que do pouco faziam muito", para o livro "Cozinhas económicas em Portugal".

"Este trabalho faz-se com muita paciência, é obrigatório não termos pressa", afirmou, ressalvando a sua importância como meio de "preservar a herança cultural e o património nacional".

Chef do Futuro é português

Também premiado foi David Jesus, que apresenta "diariamente a mais sofisticada e interessante cozinha portuguesa no Restaurante Belcanto do Chef José Avillez", segundo a Academia Internacional, pelo que foi reconhcido como Chef do Futuro ("Chef de L' Avenir").

A distinção mais elevada, o Grande Prémio de Arte da Cozinha, foi para o chef norte-americano Grant Achatz, do restaurante Alinea, em Chicago. Os outros prémios foram para o espanhol Carlos Falcó (Grande Prémio da Cultura Gastronómica), para a francesa Escola de Cozinha e Saúde de Michel Guérard (Grande Prémio da Ciência da Alimentação) e para a japonesa Toyoko Nakamura (Grande Prémio da Arte da Sala).