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O real desafia a ficção em festival de cinema no Porto

"Porto/Post/Doc" em dezembro para colocar a cidade na rota dos grandes encontros internacionais de cinema

Em definitivo, o cinema está a regressar à baixa do Porto. O festival "Post/doc", que decorrerá entre 4 e 13 de dezembro no Teatro Rivoli e no cinema Passos Manuel, vem assumir um lugar por preencher, com uma programação dedicada ao documentário e às chamadas formas híbridas entre o documentário e a ficção.

Apresentado ontem por Dario Oliveira, programador cultural com um grande histórico de ligação ao Curtas de Vila do Conde, o novo festival pretender constituir também um fórum de encontro e debate entre todos quantos se interessam pelo cinema.

Quando questionado sobre a relação ou a diferença entre esta nova proposta e os festivais dedicados ao cinema documental já existentes em Lisboa e em Vila do Conde, Dario Oliveira sublinhou o  facto de ser este um festival situado "num território de fronteira entre a ficção e o documentário". Isto para lá do facto, acrescentou, de a cidade "merecer um festival onde passam os grandes filmes" que estão a ser produzidos nesta área a nível internacional.

Com uma imagem gráfica construída pelo Studio Dobra, o Porto/Post/Doc terá vários filmes em estreia nacional com a presença dos realizadores. No total serão exibidos 50 filmes, assinados por cineastas com nome já firmado e outros ainda a construir um caminho.

Dividido em várias secções, o festival terá uma componente competitiva com filmes oriundos de latitudes diversificadas, que passam pela Suíça, Síria, Bélgica, Roménia, França, Filipinas ou Portugal. Uma nota da organização sublinha que a "a seleção reforça a componente política do documentário e a sua ligação mais direta aos conflitos humanos, quer sejam subliminares e familiares, quer sejam violentos conflitos armados".

Momento importante do festival será o fórum "Onde está o Real" que, segundo o seu programador, Daniel Ribas, inclui três mesas redondas nas quais participarão especialistas de várias áreas científicas e criativas. No âmbito deste programa está incluída a projeção de "Los Angeles Plays itself", de Thom Andersen, um filme tido como referencia absoluta deste universo criativo e que será apresentado no Porto com uma nova versão reeditada e remasterizada.

Em "Persona" aparecerão os filmes empenhados em trabalhar a questão dos direitos humanos. Serão exibidos na sua maioria a 10 de dezembro, em celebração do Dia Internacional dos Direitos Humanos, e entre os escolhidos está a estreia de "Acima das nossas possibilidades", um trabalho de Pedro Neves integrado no projeto "Troika", que envolve ainda oito fotógrafos. De norte a sul têm vindo a percorrer o país para fixar a sua leitura do modo como a intervenção da "Troika" em Portugal interferiu e afetou a vida dos portugueses.

Com "Transmission", secção centrada no Passos Manuel e no bar Maus Hábitos, será explorada a relação entre a música e as imagens em movimento, através de concertos e documentários dedicados à música.

Manoel Oliveira, que completará 106 a 11 de dezembro, será homenageado no Porto/Post/Doc com a estreia nacional do seu mais recente filme, "O Velho do Restelo", a que se juntará a exibição de várias outras obras, como "Douro, Faina Fluvial", "O pintor e a cidade", "Painéis de Sã Vicente de Fora - Visão Poética".

A sessão de encerramento, a 13 de dezembro, incluirá a entrega do prémio para melhor filme documentário em competição e a exibição, em ante-estreia nacional, de "The salt of the earth", de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado.

Também presente na apresentação deste novo festival, o vereador da cultura da Câmara Municipal do Porto, Paulo Cunha e Silva, aproveitou para revelar o facto de a autarquia estar a trabalhar a hipótese de instalar na cidade um Museu da Imagem e anunciar que todas as terças-feiras passa a haver duas sessões de cinema no pequeno auditório do Teatro Rivoli.