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O Porto vai namorar a ficção com documentários

“Storm Children”, de Lav Diaz, é um dos filmes em competição, com exibição programada para as 14h00 de sábado

DR

Começou esta quinta-feira o Porto/Post/Doc, um festival internacional onde o documentário se atreve a perguntar onde está o real e namora a ficção. 

Mais de meia centena de filmes ao longo dos próximos dez dias preencherão a programação do Porto/Post/Doc, festival internacional de documentário, com epicentro do Teatro Rivoli e extensões ao cinema Passos Manuel e ao bar "Maus Hábitos". 

Num tempo de profunda alteração de todos os códigos narrativos, a novidade proposta pelo Porto/Post/Doc passa pela apresentação das novas tendências do cinema documental, muito marcadas por uma vontade de escapar à rigidez de um cinema que se aprisiona na tentativa de retratar o real de uma forma absoluta.

Como explica Dario Oliveira, um dos dinamizadores desta iniciativa crucial para o regresso do cinema à baixa da cidade, o certame espelhará a circunstância de "estar entre o documentário e a ficção o que há de mais vibrante na produção mundial".

Esta reflexão à volta do documentário ficcional ou da ficção documental tem vindo a ser feita ao longo dos últimos anos e começam a surgir cada vez mais propostas cinematográficas enquadradas nesta dicotomia.

A ideologia da libertação

A sessão oficial de abertura está marcada para as 21h00 do próximo sábado, com o filme em competição "Concerning Violence" (2014), de Göran Hugo Olsson. A partir dos arquivos da televisão sueca, e baseado em textos do filósofo e revolucionário Franz Fanon, nascido na Martinica, o realizador constrói um objeto fílmico muito centrado na ideologia da libertação e na denúncia do erro cometido pelo Ocidente com a colonização dos povos africanos. Um outro destaque vai para "Storm Children", (2014), de Lav Diaz, um dos nomes maiores do cinema documental da atualidade. Inserido na secção competitiva e marcado para sábado às 14h00, o filme aborda uma das tragédias das Filipinas, que todos os anos são vergastadas por uma média de 28 tufões e tempestades fortes. 

A partir das 18 horas de hoje já há filmes em exibição. O primeiro é "Vikingland" (2011), de Xurxo Chirro, e remete desde logo para um aspeto importante do Porto/Post/Doc, que deu carta-branca ao realizador galego Lois Patiño para proceder a uma seleção de filmes produzidos na Galiza, cuja produção cinematográfica na área do documentário tem vindo a conquistar grande relevo internacional.

Onde está o real?

O Porto/Post/Doc terá várias zonas temáticas, como o fórum "Onde está o Real?", com um seminário de um dia, no qual participarão especialistas oriundos de várias áreas do saber, e uma seleção de filmes a exibir durante o festival. Na secção competitiva estarão doze filmes, todos exibidos em duas datas diferentes. 

Com "esporão transmission" será explorada a relação entre a música e o cinema. O objetivo, aqui, não é apresentar filmes sobre boas bandas ou bons concertos, mas bons filmes em que a música surge como pano de fundo. Amanhã à noite, por exemplo, no Passos Manuel, será apresentado "Duran, Duran, Unstaged", realizado por David Lynch.

Em "Persona" há espaço para a denúncia de situações políticas e sociais complexas e "cartes blanches" constitui um convite a outros programadores para mostrarem no Porto as suas propostas. Este ano foram convidados os diretores do CPH.Dox - Festival Internacional de cinema documental de Copenhaga, e do FID Marseille, Festival Internacional de Cinema de Marselha, além de Lois Patiño e Dennis Lim, programador do Lincoln Center New York.

A programação diária do festival pode ser acompanhada aqui.