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Museu Gulbenkian. Penelope Curtis traz ar fresco à casa

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A atual diretora da Tate Modern foi a escolhida para substituir João Castel-Branco Pereira à frente dos destinos do Museu da Fundação Gulbenkian. A entrada de Penelope em outubro pode desde já ser encarada como uma lufada de ar fresco na programação. Vem aí a contemporaneidade.

A atual diretora da Tate Britain, Penelope Curtis, vai assumir a direção do Museu Gulbenkian a partir do próximo outono. O nome da curadora e historiadora de arte britânica foi escolhido entre as cerca de três dezenas de candidatos a um concurso internacional promovido pela Fundação para preencher o lugar deixado em aberto com a saída de João Castel-Branco Pereira, que dirigiu o Museu entre 1998 e 2014.

"Sinto-me entusiasmada por ser a primeira estrangeira a assumir o cargo de diretora do Museu Calouste Gulbenkian", diz Penelope Curtis. Contente com a "possibilidade de trabalhar em Portugal  numa instituição forte que procura novos caminhos", a nova diretora determina já o que quer fazer na casa: "Desejo manter tudo o que é bom no Museu, que eu admiro profundamente, e ao mesmo tempo, trabalhar para que o Museu aproveite o seu potencial e o seu contexto, de uma forma mais abrangente, especialmente na relação com o Centro de Arte Moderna".

Pelas primeiras declarações de Curtis podemos já perceber o que será diferente no Museu Gulbenkian a partir de outubro. A relação da instituição com a contemporaneidade é ponto assente, como o é a colaboração direta com a Tate Britain. Teremos uma programação mais aberta à contemporaneidade e à arte moderna, o que significa uma clara intenção de liderar o museu numa direção muito mais abrangente em termos artísticos e de interesse para o público.

Por outro lado, será previsível que a historiadora de arte abra ainda as portas a uma verdadeira internacionalização do museu, dando-lhe uma dimensão bem maior, o que permitirá aumentar ainda a capacidade daquela instituição se relacionar com os seus pares, grandes museus de todo o mundo.

Esta é também a vontade de Artur Santos Silva, o presidente do conselho de administração da Fundação Gulbenkian, que anseia que o museu abrace novos caminhos e intensifique a sua relação com o mundo de hoje. 

Sob a direção de Isabel Carlos, o Centro de Arte Moderna, que também tem uma excelente coleção de arte, mas cujo budget e espaço expositivo já se tornam reduzidos para a procura, terá em Penelope Curtis uma aliada de peso, podendo também vir a beneficiar dos contactos privilegiados da curadora.

Tenha-se ainda em atenção que Penelope foi responsável pelo recente projeto de renovação da Tate Britain, que levou a uma reorganização da galeria de arte. Anteriormente, dirigiu o Henry Moore Institute, em Leeds, onde coordenou um abrangente programa de exposições e pesquisas que ofereceram ao público diferentes olhares sobre a cultura. 

Espera-se ainda uma nova política de aquisições que venham enriquecer o Museu Gulbenkian, nomeadamente arte do século XX, a maior falha da instituição, muito mais virada para a arte antiga, a privilegiada pelo seu fundador. Com uma coleção de cerca de 6000 obras de arte, desde a Arte Egípcia até às primeiras décadas do século XX, o museu carece de vida apesar do seu acervo de altíssima qualidade e diversidade ter feito com que fosse eleito um dos dez melhores pequenos museus do mundo.

Penelope Curtis, 53 anos, estudou História Moderna no Corpus Christi College, Oxford (1979-1982), a que se seguiu um mestrado e um doutoramento sobre escultura francesa pós- Rodin no Courtauld Institute of Art (1983-89). Assumiu o cargo de diretora na Tate Britain em abril de 2010, onde coordenou várias exposições, tendo sido responsável pela abertura da nova Tate Britain, em 2013 e pela reorganização das galerias, bastante elogiada pela crítica.

Curtis foi ainda presidente do júri do prémio Turner, um dos mais prestigiados prémios de arte britânicos. Antes de  assumir a direção da Tate Britain, Penelope Curtis foi curadora no Henry Moore Institute, em Leeds, a partir de 1999, tendo sido responsável por um programa de exposições envolvendo esculturas de todas as épocas, novas edições sobre as coleções e a aquisição  de obras de artistas como Rodin, Epstein e Calder.

Foi a primeira curadora de exposições na Tate Liverpool, aquando da sua abertura em 1988. Assinou a curadoria ou cocuradoria de exposições maiores como "Barbara Hepworth: A Retrospective" na Tate Liverpool, em 1994, "Sculpture in Painting", em 2010, no Henry Moore Institute e Modern British Sculpture, na Royal Academy, em 2011.

O seu campo de investigação incide fundamentalmente sobre a arte do período entre guerras, arquitetura e arte contemporânea, tendo publicado vários livros e ensaios sobre estes temas. Tem realizado conferências em museus e universidades dentro e fora do Reino Unido.  Recentemente foi oradora de um ciclo de conferências na National Gallery (Paul Mellon Lectures) que será realizado em Yale em abril de 2015.

 

As suas publicações incluem "Sculpture 1900-1945" no "Oxford History of Art" (Oxford 1999) e "Patio & Pavilion: the place of sculpture in modern architecture" (Ridinghouse/Getty 2007). Foi membro da Art Commissions Committee for the Imperial War Museum e, entre outros cargos, integra atualmente o Advisory Committee for the Government Art Collection.