Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Foi Amália Rodrigues quem intercedeu para Camané gravar o primeiro disco

Amália numa foto para a revista comemorativa dos 25 anos do Expresso, em 1998

Rui Ochôa

A grande diva do fado foi a fada madrinha da carreira de Camané. Esta e outras revelações no livro "Amália, quis Deus que fosse o meu nome", da autoria de Miguel Ferraz, neto de Vasco Barros Queiroz que escreveu para Amália o fado 'Minha canção é saudade'.

No princípio da década de 1990 Amália mudou a vida de Camané: "A Amália, depois de assistir duas vezes à peça do Filipe La Feria 'Maldita Cocaína', onde eu participava, telefonou ao David Ferreira e ao Rui Valentim de Carvalho a elogiar-me e a dizer-lhes para me contratarem. E assim foi. Passados alguns dias o David Ferreira e o João Teixeira apareceram para me convidarem a gravar um disco".

Este depoimento de Camané é um dos 12 que constam no livro "Amália, quis Deus que fosse o meu nome", de Miguel Ferraz. Construído a partir de uma entrevista radiofónica que Miguel Ferraz fez  a Amália na RPL [Rádio Paris Lisboa] em 1989, é um documento que agora se recupera noutro suporte para celebrar os 75 anos do  início da vida artística de Amália.

Ao longo de 102 páginas, Ferraz, que fez a reportagem para a RPL do espetáculo que assinalou os 50 anos de carreira de Amália, a 8 de janeiro de 1990, no Coliseu dos Recreios, transcreve integralmente a entrevista feita alguns meses antes, e completa este documento com testemunhos de 12 vultos da cultura portuguesa sobre Amália. É o caso de Camané, David Mourão-Ferreira, Maluda, Carlos Paredes, Diamantino Vizeu, Jorge Fernando, entre outros.

A registar o depoimento de Vasco Barros Queiroz, avô materno do autor, que conheceu Amália no início da sua carreira e escreveu para ela a letra do fado 'Minha canção é saudade'. "Ela teve a letra do fado em seu poder durante muito tempo e um dia no Café Luso olhou para mim - que estava perto - sorriu e começou a cantar. Eu nem sequer percebi que estava a cantar a minha letra. Só depois no andar do canto é que entendi o que era e então fiquei muito interessado e, claro, muito agradecido".

Já Camané diz que estará que "foram poucos os episódios vividos mais de perto com Amália, mas eram sempre momentos bastante singulares e hipnóticos, como tudo o que se vivia com ela".