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Fernando Pessoa 'passeia' por Nova Iorque durante três dias

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Imagem utilizada pelo 'ArteInstitute' para edição de 2014 da semana dedicada a Fernando Pessoa em Nova Iorque

DR

Hoje, às 23h de Lisboa, 19h de Nova Iorque, o Hotel Gershwin é o palco que acolhe a conferência "A relação de Pessoa com o Cinema", seguida da projeção de um filme mudo de 1927 acompanhado ao piano por Renato Diz.

Hoje, amanhã e quinta-feira, os cidadãos do mundo que estiverem em Nova Iorque vão poder conviver com três abordagens diferentes da obra de Fernando Pessoa e  celebrar o 3º aniversário do "Arte Insitute" fundado pela portuguesa Ana Miranda.

A 'festa' de Pessoa começa hoje no Hotel Gershwin, cuja história remonta a 1903 e ao ambiente de início do século XX que Pessoa - sem nunca ter ido a Nova Iorque - experimentou noutros cafés e viagens imaginárias.

Vai ser exibido o filme mudo de 1927 "Aurora: uma canção para dois humanos" do realizador alemão F. W. Murnau, acompanhado ao piano por Renato Diz, e enquadrado por uma palestra de Isabel Gil, professora da Universidade Católica de Lisboa, que aborda "A relação de Pessoa com o cinema". 

O dia de amanhã prossegue com uma segunda conferência de Isabel Gil na Rutgers University. Na quinta-feira, a festa de celebração da cultura portugesa encerra com uma conferência na Poets House da professora Ellen Sapega que falará sobre "Símbolos de Inquietude no Imaginário de Fernando Pessoa". 

Onde se encontra Pessoa com o filme "Aurora"?

A relação de Pessoa com o "cinema é mais indireta do que explícita", disse Isabel Gil ao Expresso. Não existe uma "referência direta de Pessoa a Sunrise" [Aurora], acrescenta, lembrando que o que importa mesmo destacar é "como este ambiente imagético tem impacto sobre a construção de uma retórica visual na obra Pessoana".

"Apesar da insinceridade de Pessoa", a referência à "manifestação do cinema como arte só surge na obra dos realizadores alemães e russos (Erostratus). No nº 20 da Presença, em 1929, num número em que se publica o poema 'apontamento' de Álvaro de Campos, a Presença regista a estreia de "Sunrise", assim como de "O Gabinete do Dr. Caligari" ou "O Estudante de Praga". Há um claro privilégio da estética da cinematografia de Weimar e da cinematografia soviética, as únicas verdadeiramente artísticas. A única exceção americana são os filmes de Chaplin", explica Isabel Gil.

Já, Ana Miranda, fundadora do "Arte Institute" diz que este ano, tal como em 2013, escolheu Pessoa para celebrar o aniversário do instituto que fundou, porque seguiu uma 'máxima' de Pessoa para construir este projeto: "O homem é do tamanho do seu sonho".