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Clube de leitura de Mark Zuckerberg discute filosofia da ciência

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Ler mais foi a resolução de Mark Zuckerberg para o ano de 2015.

ALBERT GEA/REUTERS

O fundador do Facebook anunciou que vai ler "A Estrutura das Revoluções Científicas", do físico, historiador e filósofo Thomas Kuhn. É o sexto livro do seu Clube de leitura, criado no início deste ano.

No início do ano, Mark Zuckerberg anunciava no site de que é fundador que a sua resolução para o ano de 2015 era ter uma "dieta de media" com mais livros, tendo criado para isso uma página onde, a cada duas semanas, revela que livro vai ler, convidando os utilizadores a participarem em discussões em torno do título selecionado.

"A Estrutura das Revoluções Científicas", escrito pelo físico, historiador e filósofo Thomas Kuhn (1922-1966) é a mais recente escolha anunciada por Zuckerberg, o sexto, depois de "Criatividade", de Ed Catmull.

O livro de Thomas Kuhn, publicado em 1962 pela Universidade de Chicago, colocava em causa a ideia generalizada de que toda a mudança científica passa por um processo estritamente racional, tese que viria a influenciar cientistas não só das áreas naturais, como também de outras áreas, desencadeando um grande debate em torno da questão. O autor explora três conceitos fundamentais, o de paradigma, ciência normal e revolução científica. 

Nas palavras de Zuckerberg, citado pelo "The Guardian", o livro, concebido originalmente como monografia da International Encyclopedia of Unified Science, é uma reflexão sobre a ciência, tecnologia e progresso, e levanta algumas questões, como a de se saber "se a ciência e a tecnologia contribuem para um progresso equilibrado, ou se este, por outro lado, resulta de explosões relacionadas com outras forças sociais".

"Tendo a pensar que a ciência é uma força equilibrada que contribui para o bem no mundo", continua Zuckerberg. "Acho que seria bom para todos nós investirmos mais em ciência e agir sobre os resultados das investigações. Estou entusiasmado por poder explorar melhor este tema". 

David Papineau, professor de Filosofia no King's College, em Londres, considera que o livro alterou completamente a nossa visão da ciência. "É um livro incrível", descreve, citado também pelo diário britânico, acrescentando que "antes de Kuhn, a visão aceite era a de que a ciência exigia homens de génio para afastar as nuvens da superstição, alcançando-se desse modo a verdade da natureza", e que o físico e historiador conseguiu mostrar que "os cientistas são seres humanos normais, com preconceitos e agendas pessoais que interferem nas suas pesquisas, e que o caminho para os avanços científicos é feito através de um terrenio social complexo".

O clube de leitura de Mark Zuckerberg já tem mais de 381 mil seguidores. O primeiro livro escolhido foi "O Fim do Poder", de Moisés Naím, editado em Portugal pela Gradiva.