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"Celebrá-lo é criar condições para quem faz cinema"

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FOTO RUI DUARTE SILVA

Realizador português Manoel de Oliveira morreu esta quinta-feira aos 106 anos. Era o mais velho realizador do mundo em atividade.

O ex-diretor do Museu de Serralves, no Porto, João Fernandes, disse esta quinta-feira que quando alguém como Manoel de Oliveira desaparece, a melhor forma de o celebrar será sempre criar condições para quem faz cinema em Portugal.

"Sempre lutou por isso e sempre foi um exemplo de grande dignidade, porque nunca se submeteu a qualquer tipo de resignação, nem de demissão, nem nunca desistiu, por mais difícil que fosse e por mais impossível que parecesse fazer o próximo filme. Ia sempre lutar para o fazer", disse João Fernandes, que atualmente é subdiretor do Museu Reina Sofia, em Madrid.

Emocionado, João Fernandes disse esperar que os realizadores portugueses tenham "a mesma capacidade de lutar" e que consigam reunir as condições para trabalhar.

E, sobretudo, acrescentou, "que tenham um país que consiga ser mais generoso com eles do que foi durante muito tempo com o Manoel".

"Apesar de ser conhecido nestas últimas décadas, passou muitas décadas em que não teve condições para desenvolver o seu trabalho. Quantos filmes o Manoel de Oliveira poderia ter feito que nós não vimos, porque ele não teve condições para o fazer nas primeiras décadas do seu trabalho?... Mesmo assim, fica-nos um tesouro imenso. Para ver, rever, pensar, repensar", acrescentou.

João Fernandes lembrou que "ele foi um dos cineastas que criou um manifesto ético para o cinema em Portugal e que soube vincular o cinema com este país e com a realidade que ele soube sempre documentar, mas também ficcionar como ninguém".

"É um dos artistas mais exemplares com os quais trabalhei, a sua integridade, a sua verticalidade e, sobretudo, a sua capacidade de lutar e de nunca desistir dos seus princípios, por mais difíceis que fossem as circunstâncias", afirmou.

O realizador português Manoel de Oliveira morreu esta quinta-feira aos 106 anos. Manoel Oliveira, nascido a 11 de dezembro de 1908, no Porto, era o mais velho realizador do mundo em atividade.

O último filme do cineasta foi a curta-metragem "O velho do Restelo", "uma reflexão sobre a Humanidade", estreada em dezembro passado, por ocasião do seu 106º aniversário.