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Casa Fernando Pessoa assinala os 125 anos do nascimento de Mário de Sá-Carneiro

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Rui Ochôa

Debates, uma oficina de improvisação, concertos, espetáculos, apresentações e lançamentos de livros e exposições. A Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, prepara-se para celebrar os 125 anos do nascimento de Mário de Sá-Carneiro, poeta e ficcionista, e um dos principais representantes do modernismo em Portugal. 

Helena Bento com Lusa

A Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, organiza em maio um programa de poesia, oficinas e música para assinalar os 125 anos do nascimento de Mário de Sá-Carneiro e os 100 anos da extinta revista literária Orpheu.

Mário de Sá-Carneiro, poeta e ficcionista português, fez parte do grupo fundador da revista Orpheu, em 1915, com Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Santa-Rita Pintor, entre outros. Nasceu no dia 19 de maio de 1890 e a data é assinalada com um debate sobre a sua poesia, segundo comunicado da Casa Fernando Pessoa.

A obra do autor de "A confissão de Lúcio" vai ser debatida pelos professores e investigadores Paula Morão, Fernando Cabral Martins e Gustavo Rubim, na data de nascimento do poeta.

Dez dias antes, a 9 de maio, o músico e compositor Luís Bragança Gil abre uma oficina de improvisação em tempo real, que se propõe "trabalhar o texto poético e estimular a criatividade, descobrindo a voz e o seu potencial".

O projeto estende-se até ao fim do mês e culmina, no dia 30, num concerto do Open Mind Ensemble, coletivo dirigido por Bragança Gil, "que combina improvisação livre com a composição em tempo real".

Ainda no dia 9, sábado, o músico e compositor italiano Mariano Deidda apresenta-se em Lisboa para interpretar as suas canções sobre poemas de Pessoa, como "Ode Marítima", do heterónimo Álvaro de Campos, publicado no segundo número de Orpheu, lançado em junho de 1915. O concerto realiza-se no Teatro S. Luiz, e insere-se na programação dos cem anos da revista que marcou o modernismo português.

Também a 9 de maio, numa parceria com o Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas (FIMFA Lx'15), a Casa Fernando Pessoa acolherá o espetáculo "Parece um pássaro", de David Machado.

No dia 16 será apresentado o livro "Na floresta do alheamento", de Celeste Malpique, professora jubilada da Universidade do Porto, que parte de uma conversa ficcionada com Fernando Pessoa, permitindo um "diálogo" analítico do "Livro do Desassossego". A apresentação da obra será feita pela psicanalista Ana Belchior Melícias.

A 22 de maio, Annabela Rita, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, fará a apresentação de "Apostilla", obra póstuma de António Vera (1923-2012), uma colectânea de poemas escritos ao longo do último ano de vida do autor, após a publicação de "O frio das metáforas". António Vera é um dos autores da Seara Nova, que publicou igualmente nas revistas Atlântico, Távola Redonda e Árvore, em particular durante a década de 1940.

No final do mês, a 28 de maio, será feito o lançamento de "Voo Rasante", livro coletivo de poesia portuguesa, publicado em fevereiro deste ano pela editora Mariposa Azual.

A encerrar a programação musical do mês de maio da Casa Fernando Pessoa, o Instituto Gregoriano de Lisboa realiza audições de piano. A exposição "Os testamentos de Orpheu", de Pedro Proença, e as mesas redondas "O que é ser moderno hoje - 100 anos de poesia e modernidade", que assinalam o centenário da revista, prosseguem na instituição.

As mesas redondas realizam-se nos dias 6 e 20 de maio, com os temas "Orpheu e nós, modernistas de agora?" e "Artes e Poesia, como dar a ver?", com a participação anunciada dos investigadores Raquel Nobre Guerra, Rita Taborda Duarte e Tiago Patrício.

"Os testamentos de Orpheu", de Pedro Proença, espalham-se pelos recantos da Casa Fernando Pessoa. "A revista Orpheu é um fantasma que já há muito tempo vou digerindo e não cessa de ser uma fonte de entusiasmo", escreveu Pedro Proença. "O apetite por celebrar os de Orpheu vai sendo traduzido em obras (pinturas, cartazes, esculturinhas) em que abundam textos dos seus membros, colagens e abusos sobre eles, ou pequenos ensaios da minha lavra".

"As obras irão surgir um pouco por toda a Casa Fernando Pessoa, como se fossem música de fundo", concluiu o artista na apresentação da exposição.