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Ator António Montez parte aos 73 anos. Participou na primeira novela portuguesa

António Montez deu vida a Teófilo na telenovela "Olhos nos Olhos", exibida na TVI

DR

Morreu esta segunda-feira num hospital em Lisboa. Depois de "Vila Faia", teve uma vida de teatro, cinema, encenação e séries televisivas.

O ator António Montez, de 73 anos, que participou, entre outras, na primeira telenovela portuguesa, "Vila Faia", em 1982, morreu hoje em Lisboa, disse à Lusa o ator Heitor Lourenço.

António Montez, segundo a mesma fonte, encontrava-se doente, e morreu numa unidade hospitalar, em Lisboa.

Participou em várias peças de teatro, fez cinema, foi encenador e figurou de forma regular nos elencos de séries televisivas, desde a telenovela "Vila Faia".

 

Começa aos 23

Natural do Cartaxo, Montez enveredou pela carreira de ator aos 23 anos, no Teatro Experimental do Porto, onde na época trabalhava o encenador Carlos Avilez. Em setembro de 2010, numa tertúlia organizada pelo ator José Raposo, no Centro Cultural do Cartaxo, Montez recordou esse tempo: "Fiz 12 peças seguidas, dez das quais como protagonista absoluto. Foi o melhor de todos os conservatórios".

António Montez fixar-se-ia em Lisboa, no final da década de 1960, trabalhando para companhias da capital, na rádio e para a televisão.

Fez parte do elenco da "Trilogia das Barcas", de Gil Vicente, e do "Auto da Natural Invenção", em adaptações de Luís Francisco Rebello, sob a direção de Artur Ramos, para a RTP.

António Montez trabalhou igualmente com o realizador e encenador, na adaptação de "Morte de um Caixeiro Viajante", de Arthur Miller, ao lado de Fernanda Borsatti e Rogério Paulo, peça que foi do palco do Teatro Maria Matos, em Lisboa, para a noite de teatro da RTP, em 1974.

A encenação de "Português, escritor, 45 anos de idade", de Bernardo Santareno, que Montez protagonizou, como escritor adulto, foi igualmente estreada no Maria Matos, na capital portuguesa.

 

Ajuda a erguer Teatro Adoque

Em 1974 fez parte do grupo fundador do Teatro Adoque, instalado no Martim Moniz, em Lisboa, do qual fizeram parte atores como Ermelinda Duarte, com se casou, Francisco Nicholson, Carlos Gonçalves, José Viana e Henrique Viana, entre outros, estreando originais como "Pides na Grelha" e "CIA dos Cardeais".

O ator participou na primeira telenovela portuguesa, "Vila Faia", em 1982, contracenando com Mariana Rey Monteiro, Glória de Matos, Ruy de Carvalho, Adelaide João e Rosa Lobato de Faria, entre outros, inaugurando um trabalho, na produção televisiva, que viria a marcar o seu percurso.

Ao longo da carreira participou telenovelas e séries televisivas como "Origens", com Curado Ribeiro e Florbela Queiroz, "Chuva na Areia", com Rui Mendes, Alina Vaz e Armando Cortez, "Cinzas", com Maria João Luís, André Gago e Ricardo Carriço, e, mais recentemente, em "Olhos nos olhos", "Vingança" e "O olhar da serpente".

Até 2002, somou participações em cerca de 20 séries e telenovelas, nomeadamente "Camilo, o pendura", "Floribella", "Um sarilho chamado Marina", "Aqui não há quem viva", e nas séries dramáticas "Pedro e Inês", "Alves dos Reis" e "Conde de Abranhos", que adaptava o original de Eça de Queiroz.

No cinema, fez parte dos elencos de "Alexandre e Rosa", curta-metragem inicial de João Botelho, e de "Dina e Django", de Solveig Nordlund (1982), assim como de "Amália, o filme", (2008), de Carlos Coelho da Silva.

Em 1971, protagonizou "Pedro só", de Alfredo Tropa, um dos títulos que, na altura se juntou à produção do Novo Cinema Português.

Em 1961/62, no início da carreira, foi assistente de realização de Ernesto de Sousa, no filme "Dom Roberto", drama protagonizado por Raul Solnado e Glicínia Quartin, com argumento de Alexandre O'Neill.

 

Dobragens, no percurso mais recente

A dobragem de filmes para português esteve presente no seu percurso mais recente, em particular para o público mais novo, como "Monsters, Inc" e "The Incredibles".

Em 2009, o ator participou nas leituras do Teatro São Luiz, em Lisboa, por ocasião dos 30 anos da publicação de "Corpo-delito na Sala de Espelhos", de José Cardoso Pires.

Nascido em 1941, no Cartaxo, a última vez que subiu ao palco na sua terra natal, foi em 1969, ao lado de Raul Solnado, na peça "A Preguiça", no Cine-Teatro Ribatejo.

Na tertúlia de setembro de 2010, no Centro Cultural do Cartaxo, Montez recordou seu avô, o médico Júlio Montez, conhecido no concelho como "o pai dos pobres". Foi por ele que entrou em Medicina. Mas, "entre dois amores", escolheu o palco. "Até hoje ainda não me arrependi", disse então.

O ator e amigo Heitor Lourenço disse à Lusa que António Montez se encontrava doente, tendo morrido hoje, numa unidade hospitalar em Lisboa.