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Cultura

Arquipélago põe Açores no mapa da arte contemporânea

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Lucília Monteiro

Centro abre hoje em S. Miguel com pré-programação definida até final do ano

Valdemar Cruz (Texto) Lucília Monteiro (fotos)

A partir das 15 horas de hoje decorrerá na Ribeira Grande, ilha de S. Miguel, nos Açores, a inauguração oficial do Arquipélago-Centro de Artes Contemporâneas. Não tem ainda uma exposição para mostrar, o acervo não dispõe ainda das obras que o irão preencher, e, por isso, a festa será estruturada à volta do conhecimento do próprio edifício, selecionado para o prémio europeu de arquitetura Mies van ser Rohe, e do anúncio da pré-programação, que arrancará em maio com uma exposição muito estruturada à volta da coleção de arte contemporânea dos Açores.

Com um orçamento de €1 milhão para este ano, o Arquipélago implicou um investimento de €13 milhões e propõe-se, segundo a sua diretora, Fátima Marques Pereira, no cargo há dois meses, organizar-se a partir da exploração de quatro eixos geográficos: as ilhas atlânticas, as américas, África e Europa.

O Centro, uma estrutura com múltiplas valências, um pouco à semelhança do Centro Cultural de Belém, vai ilncentivar residências artísticas mas, como assegura Nuno Ribeiro Lopes, diretor-geral das artes dos Açores, pretende que os artistas façam um trabalho associado à comunidade e pensado n um território diferente. "Não nos interessa a arte pela arte", garante.

Fátima Marques Pereira, apesar de estar a trabalhar num projeto visto ainda como um recém-nascido, onde tudo está a ser construído do zero, sublinha ainda assim o facto de ser "um edifício quase único em Portugal", por estar preparado para o teatro, para a dança, para a performance, para acolher um serviço educativo e dispor de uma biblioteca, além dos espaços expositivos, constituídos por três grandes salas e 24 salinhas, distribuídas por dois corredores com vista para o mar. Além disso, a circunstância de ter sido nomeado para o prémio Mies van der Rohe provocou desde logo um inteesse acrescido pelo edifício e pela sua proposta arquitetónica.

Para já, o edifício é o que há para ver. O grande desafilo, agora, é, não apenas assegurar parcerias nacionais e internacionais que assegurem uma programação de qualidade, como trabalhar numa política de captação de públicos. Será uma tarefa difícil, mas poderá, admite a diretora do Centro, beneficiar muito, não apenas da situação geográfica dos Açores, como das novas possibilidades abertas pela entrada no território das companhias de aviação de baixo custo.