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A revelação do cinema filipino

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Uma das surpresas desta 35ª edição do Fantasporto: fitas vindas de um país de que pouco se conhece, cinematograficamente falando, as Filipinas.

Os festivais também servem para estas coisas: descobrir cinematografias de países de que pouco se fala. Nestes 35 anos de existência o Fantasporto, além de revelar ao grande público grandes realizadores em começo de carreira (Peter Jackson, Luc Besson, David Cronenberg, para só citar alguns) trouxe também até nós o cinema oriental: Hong Kong, Coreia do Sul, etc.

Agora foi a vez do cinema filipino, presente nesta 35ª edição através de dois filmes. Pessoalmente sempre tive a ideia de que, quando toca ao horror, a realidade ultrapassa sempre a ficção. É justamente de uma realidade terrível - crianças pobres de 10 a 15 anos arregimentadas para combates clandestinos geridos por organizações mafiosas - que nos fala "Children's Show" de Roderick Cabrido.

Num registo mais na linha do que tem sido a edição deste ano do Fantasporto, um segundo filme vindo das Filipinas: "Dementia", de Perci Intalán, uma fita sobre os fantasmas do passado que voltam para atormentar uma anciã e a sua família quando esta regressa à sua aldeia natal. Tudo rodado numa ilha lindíssima onde as paisagens do Pacífico, tanto são de uma beleza solar, como de uma escuridão inquietante.

D.R.

Num registo de série B mas realizado com muito humor, "Wolfcop" do canadiano Lowell Dean, conta a história do agente Lou Garou que, como o nome sugere, estava predestinado a transformar-se em lobisomem, o que acaba por o apetrechar melhor para cumprir a sua missão de defensor da lei. Verdadeiramente delirante a cena em que umas das vilãs seduz o polícia-lobo vestida de Capuchinho Vermelho. E tudo com a curiosidade de se tratar de uma filme produzido de forma independente a partir de uma espécie de "crowd funding" que financia propostas de jovens realizadores e lhes garante algum apoio de produtores e técnicos experientes.

D.R.

Três palavras finais para "Landmine goes click" de Levan Bakhia (Geórgia), um filme cruel sobre a facilidade com que as vítimas se transformam em algozes e vice-versa, "Drones" do americano Rick

Rosenthal sobre os dilemas éticos dos militares que comandam "drones" à distância e que têm de decidir se estão a matar terroristas ou inocentes e para a curta-metragem de Ficção Científica "Gliese 581" de Riana Haal (Holanda), um mini "2001 Odisseia no Espaço em versão feminina".