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A mulher do momento vai andar atrás das armas que não vemos

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CRÉDITOS: CONTA OFICIAL DO FACEBOOK DE "CSI: CYBER"

Uma série para conhecer o mundo em que vivemos: "CSI: Cyber" é uma das grandes apostas da televisão norte-americana e vem com a mulher do momento, Patricia Arquette - ela que agora é oscarizada. Passa na Fox.

Parece-nos uma realidade distante mas está mais presente na nossa vida do que julgamos. O cibercrime está por todo o lado e desvendar estes mistérios virtuais é mais difícil do que se pensa. O Silk Road, a Deep Web e o Tor são algumas das armas mais letais da atualidade e nós nem as vemos. Convivem connosco na sombra, não têm um espaço físico.

Falamos de um mercado onde tudo pode ser encontrado: assassinos por contrato, pornografia infantil e drogas, entre outros produtos e serviços ilegais. O Silk Road é real e está à disposição de qualquer pessoa através de um navegador especial: o Tor. Aqui o dinheiro não deixa rasto, o crime não tem castigo e a anarquia reina.

"É este o local onde vamos procurar criminosos no novo CSI", divulgou Jerry Bruckheimer, produtor-executivo da série, que abandona a receita de escolher uma cidade específica para cada spin-off.

Em "CSI: Cyber", Patricia Arquete (vencedora do Óscar e do Globo de Ouro para melhor atriz secundária pelo seu papel em "Boyhood - Momentos de uma Vida") guia-nos numa viagem às profundezas do mundo virtual, nesta que é uma das maiores apostas da norte-americana CBS para a nova temporada televisiva. Aparentemente, só damos uso a uma camada muito superficial da internet, correspondente a quatro por cento da totalidade. É a ponta de um icebergue que se engrandece à medida que a descida se torna mais perigosa.

Interpretação autêntica

Depois de "CSI: Crime Sob Investigação", passada em Las Vegas, e de dois spin-offs centrados noutras cidades norte-americanas ("CSI: Miami" e "CSI: Nova Iorque"), a nova série pega na história verídica de Mary Aiken, uma ciberpsicóloga que trabalhou no Centro Europeu do Cibercrime (EC3) da Europol - onde publicou o ensaio "The Cyberpsychology of Internet Facilitated Organised Crime" - e que aqui será apresentada na pele de Avery Ryan (Patricia Arquette).

Agora é tempo de conhecer o seu trabalho na Divisão de Crimes Informáticos do FBI em Quântico, no estado de Virgínia, nesta série em que serão investigados atos criminosos "que nascem na mente, vivem online e se desenvolvem no mundo real". E é desta realidade que se constrói um produto televisivo que promete acender o debate em torno do que queremos da internet, das suas potencialidades e perigos.

O que se esconde nas entranhas da rede, que teias são estas que nos enleiam e nos fazem tomar determinadas decisões de forma automática, quase sem pestanejar? Quais os perigos que corremos e como nos podemos proteger? Enquanto as autoridades centravam a investigação em crimes com local e hora marcados, desenvolvia-se uma nova forma de criminalidade. Se "CSI: Crime Sob Investigação" ajudou os telespectadores a aprender como funcionam as análises forenses e de ADN, "CSI: Cyber" leva-os para um novo patamar: o dos crimes digitais.

O desafio é ainda maior do que o anterior, mas Carol Mendelsohn, Anthony Zuiker e Ann Donahue (os argumentistas que puseram "CSI: Crime Sob Investigação" no ar em 2000) estarão à altura. Não é a primeira vez que se aventuram no desconhecido - há 15 anos, a série original foi pioneira no género - e o facto de trazerem uma especialista na área para a ficção é uma aposta segura. Mary Aiken faz parte da equipa e garante que será feita "uma interpretação autêntica do cibercrime".

Pensada para o presente

Um ano depois. É aqui que nos situamos face à altura em que a CBS decidiu criar "CSI: Cyber". O mundo mudou muito desde então e a atualidade da série, por estranho que pareça, só aumentou. No entretanto, a Sony enfrentou ataques de hackers, acordámos para a força crescente de um grupo jiadista que tem nas redes sociais um dos seus pontos fortes, descobrimos redes de tráfico de droga online e até em Portugal está em curso um processo legislativo para criar uma unidade de combate ao cibercrime.

Voltamos à ficção. Patricia Arquette não vai enfrentar as maiores ameaças da internet sozinha. James Van Der Beek, o Dawson Leery de "Dawson's Creek", será o agente Elijab Mundo e vem acompanhado por Peter MacNicol, Charlie Koontz, Shad Moss e Haley Kiyoko, que completam o elenco.

Em março, a CBS propôs-se a bater um recorde do Guinness ao emitir "Kitty" - o 21º capítulo da temporada 14 de "CSI: Crime Sob Investigação" - em mais de 150 países, quando o recorde anterior pertencia a "Dr. Who", com 98. Portugal fez parte da lista e este episódio-ponte (que serviu de piloto para a nova série) foi emitido na SIC, com Patricia Arquette como atriz convidada. A partir deste ano, 4 de março será, segundo a emissora norte-americana, o "Dia Mundial do CSI".

"CSI: Cyber" estreou nos Estados Unidos no último mês, num primeiro episódio intitulado "Kidnapping 2.0", emitido em Portugal esta segunda-feira a partir 22h15, na FOX.

 

[Texto originalmente publicado na secção de televisão da Revista E na edição de 04/04/2015 do Expresso]