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A editora Livros do Brasil está de regresso e traz Truman Capote

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É já esta sexta-feira que a Livros do Brasil volta ao mercado, com uma nova imagem e um trabalho editorial renovado. Manuel Alberto Valente, diretor editorial da Porto Editora e também editor da chancela, e Jorge Silva, diretor criativo da Silvadesigners, falam sobre o lançamento.

Falta menos de um dia para que a Livros do Brasil volte às livrarias, agora pelas mãos do grupo Porto Editora. Depois do anúncio da integração da editora no grupo português, é tempo de os títulos mais icónicos regressarem às livrarias. O novo grafismo da coleção "Dois Mundos" é da responsabilidade do atelier Silvadesigners.

Passaram 70 anos desde a fundação da chancela, mas o objetivo de divulgar as grandes obras da literatura clássica e contemporânea mantém-se, a par com a necessidade de dar a conhecer os mais célebres autores da literatura universal. Para Manuel Alberto Valente, diretor editorial da Porto Editora e também editor da Livros do Brasil, este regresso marca exatamente essa necessidade de continuar a apostar na publicação destes títulos e "propiciar às novas gerações de leitores o acesso a esses livros, com um grafismo renovado e um cuidado trabalho editorial, sem perder de vista aquilo que esta chancela sempre fez de exemplar, ou seja, acompanhar as novas grandes vozes da literatura contemporânea".

Com um catálogo vasto, do qual agora se publicam nove títulos da coleção "Dois Mundos" - ganham nova edição "As Vinhas da Ira", "A Pérola" e "O Inverno do Nosso Descontentamento", do Nobel da Literatura John Steinbeck, "O Adeus às Armas", "Paris é uma Festa" e "Na Outra Margem, Entre as Árvores", do também galardoado Ernest Hemingway, "A Condição Humana", de André Malraux e "Mrs Dalloway", de Virginia Wolf -, com destaque para "Música para Camaleões", de Truman Capote (que se estreia no catálogo da Livros do Brasil com uma nova tradução de Paulo Faria), este é um lançamento com um valor histórico assinalável. Foi na Livros do Brasil que se editou a mais antiga coleção policial em Portugal, a "Vampiro", com mais de 680 títulos, assim como a coleção de obras de Eça de Queiroz. "Desde a sua fundação até ao início dos anos 90, a Livros do Brasil foi uma editora de charneira na divulgação de muitos dos grandes nomes da literatura internacional", reforça ainda Manuel Alberto Valente.

Quanto à necessidade de alavancar a leitura destes títulos em Portugal, o diretor editorial da Porto Editora explica que "é preciso sobretudo garantir uma boa distribuição que os torne acessíveis a um universo alargado de leitores". A ideia é permitir que "estes se deixem seduzir por obras-primas que foram já importantes para a educação literária dos seus pais e avós".

"Uma leitura contemporânea de algo que é passado"

Depois de edições com trabalho gráfico de Bernardo Marques, Infante do Carmo e António Pedro, que colaboraram ao longo do tempo com a Livros do Brasil, chega a vez de a Silvadesigners assumir o grafismo. Quanto ao trabalho efetuado na coleção "Dois Mundos", o diretor de arte Jorge Silva explica que o projeto contou com uma marca vincada da editora: "O grafismo é nosso, mas ideia desta replicação das capas originais é da editora".

No entanto, esta decisão não choca e é claro que o grupo editorial pediu a opinião ao gabinete de design, que aceitou a "preservação de uma ligação com o design inicial".

Segundo o responsável pela Silvadesigners, procedeu-se a uma "leitura contemporânea de algo que é passado, havendo menos lugar para uma nova criatividade como acontece noutros projetos". Procederam a uma "releitura da mancha nebulosa no fundo, que difere face ao original". Também a paleta de cores é diferente.

Assumido colecionador das edições antigas, Jorge Silva conta que o trabalho da Silvadesigners foi, "de alguma maneira, proceder a uma atualização de um espólio muito interessante", salientando que "a memória ainda existe" e que a "ligação direta em termos de grafismo é muito importante".

A Porto Editora anunciou a compra da Livros do Brasil e dos seus ativos - livros, catálogo de autores e traduções - no início do ano. A editora fundada em 1944 por António Augusto de Souza-Pinto passa a integrar um universo do qual fazem ainda parte a Areal, a Lisboa Editores, a Sextante, a Assírio & Alvim, a Bertrand e o Círculo de Leitores.