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A diva que nunca aprendeu a cantar

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Billie Holiday faria cem anos esta terça-feira. É talvez a mais consensual das divas do jazz e a que cantou mais intensamente os dramas que viveu. Nunca aprendeu música.

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

A grande vantagem da música de Billi Holiday é que não é preciso ter um curso de jazz avançado para apreciar a voz rouca e flutuante de Lady Day, como era conhecida nos 40 e 50, quando atingiu o auge do sucesso com temas que obviamente sobreviveram até hoje: "Strange Fruit" (sobre os negros enforcados em árvores, como frutos estranhos), "My Man" ou "Ain't Nobody's Business". E a minha preferida: "God Bless The Child", uma canção. Billie Holiday nasceu a 7 de abril de 1915 e era filha de Clarence Holiday, um música de jazz que mal conheceu a filha.

Billie nunca teve qualquer formação académica ou musical e cantava simplesmente de ouvido, ao som de Bessie Smith e Louis Armstrong, as suas grandes influências. Foi descoberta pelo produtor John Hammond quando cantava em bares rascas do bairro de Harlem, em Nova Iorque. Conheceu o sucesso em vida e foi casada várias vezes. Um dos maridos era o saxofonista Lester Young, que lhe deu a alcunha de Lady Day. Billie teve problemas com homens, drogas e álcool. Morreu nova, aos 44 anos, de cirrose hepática. Dias antes de morrer foi detida no quarto do hospital por posse de droga. Quando cantava era assim: