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500 anos depois, Ricardo III tem novo funeral

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Os restos mortais do rei inglês vão ser sepultados na catedral de Leicester, no Reino Unido, na próxima quinta-feira.

EPA

O cortejo fúnebre do monarca, último rei de Inglaterra, começou este domingo e vai percorrer vários locais históricos. Termina na catedral de Leicester, no Reino Unido. na próxima quinta-feira.

Ricardo III, o último rei de Inglaterra, morto numa batalha há mais de 500 anos, e cujo esqueleto foi descoberto em 2012, debaixo de um parque de estacionamento em Leicester, Reino Unido, tem este domingo novo funeral.

As cerimónias tiveram início às 12h00. Rosas brancas foram depositadas sobre o seu caixão, na Faculdade de Leicester, pela mão dos descendentes diretos - os mesmos que permitiram que os seus restos mortais fossem identificados, através de comparação dos perfis de ADN. 

Da faculdade, o caixão foi transportado para Fenn Lane, quinta situada em Leicestershire. Entre as outras paragens estão o Bosworth Heritage Centre (onde o rei e o seu exército terão acampado na véspera da célebre Guerra das Rosas), Sutton Cheney e outros locais históricos, por onde o rei inglês terá passado. As celebrações terminam na próxima quinta-feira, dia em que os seus restos mortais vão ser depositados na catedral de Leicester. A acompanhar o cortejo, que segue em marcha lenta, vão cavaleiros, padres e um bispo.

Resolvido mistério com 500 anos 

Ricardo III, que William Shakespeare descreveu como um monstro tirano, entre outros atributos pouco abonatórios ("sapo corcunda", "deformado", coxo, de braço mirrado, tão feio que até os cães ladravam à sua passagem), foi o último monarca inglês da casa de Iorque. Reinou durante dois anos (1483-1485), tendo morrido aos 32 anos, numa luta com o seu suposto sucessor, Henrique Tudor, no decorrer da batalha de Bosworth Field.  

Em agosto de 2012, o seu esqueleto foi encontrado durante umas escavações numa zona medieval subjacente a um parque de estacionamento, em Leicester. A identificação dos restos mortais do monarca foi feita através da comparação do seu ADN com o de vários descendentes, e ainda com base numa volumosa documentação histórica e genealógica. Os resultados da análise ao esqueleto de Ricardo III permitiram também descobrir que este sofria de escoliose, um desvio da coluna vertebral. 

A descoberta, levada a cabo por uma equipa historiadores e de arqueólogos da Universidade de Leicester, coordenada por Richard Buckley, permitiu resolver um mistério que somava mais de 500 anos. Sobre o monarca sabia-se, até à data, que o seu corpo havia sido transportado do local da célebre batalha que lhe tirou a vida para ser exposto em Leicester, tendo sido sepultado junto a uma igreja franciscana que viria a ser demolida mais tarde.