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A sorte de dormir na Casa em noite de sexta-feira 13

Messias Delmar

A noite desta sexta feira 13 será de sorte na Casa da Música, de portas abertas para um grupo de 20 pessoas, com a oportunidade de pernoitar na imponente Sala Suggia, após uma odisseia pelos lugares nunca antes andados do incontornável lar da cultura portuense

Sexta-feira 13. Se para alguns o dia pode ser presságio de azar, a noite no Porto augura ser de sorte para duas dezenas de afortunados, com os sacos-cama preparados para pernoitar no palco da Sala Suggia, após descobrirem a magia dos cantos mais recônditos da Casa da Música (CdM). A aventura pelos meandros da cultura está assegurada, mas o grupo não ficará sozinho em casa. A oportunidade inédita conta com uma visita guiada e performativa “às escuras” pelos vários espaços da sala de espetáculos – habitualmente inacessíveis –, iluminada pelas palavras e pela criatividade da atriz Sara Barros Leitão.

Antes de adormecerem, com um concerto de embalar de Jorge Queijo, os hóspedes vão deambular - a partir das 22h, depois de efetuarem o “check-in” – por lugares nunca antes andados, onde habitam mais de 2 mil instrumentos, numa odisseia pelas pequenas histórias que tecem a História deste lar da cultura portuense. Na manhã de sábado, quando o sol raiar, os 20 privilegiados (escolhidos entre mais de 600 inscritos) terão preparado um pequeno-almoço, servido na esplanada da Casa da Música.

“Não é uma visita sobre a história arquitetónica do edifício, mas uma viagem pelas memórias e relatos das pessoas reais, dos funcionários que diariamente habitam a CdM e fazem dela a sua própria casa”, começa por desvelar, ao Expresso, Sara Barros Leitão, “infiltrada” durante a última semana a explorar os sortilégios ocultos do olhar do público, guardados no baú das vivências de quem ali trabalha.

“São as pessoas que nos fazem apaixonar pelos lugares”

D.R.

O objetivo desta aventura noturna na Casa, acrescenta a artista, passa por "limpar a pó” às crónicas quotidianas dos colaboradores “que nunca seriam ouvidas”, motivo pelo qual entrevistou e mergulhou na realidade dos funcionários da manutenção ou da bilheteira, dos guias ou dos técnicos.

“São as pessoas que nos fazem apaixonar pelos lugares” e “cada canto acaba por ter uma história que não consta nos livros e que nunca ninguém poderia conhecer”, afirma a intérprete e encenadora de 27 anos, timoneira de uma visita orientada “do ponto de vista de uma empregada da limpeza, que passa as noites clandestinamente na Casa da Música, por não ter autocarros que lhe permitam chegar tão cedo ao trabalho”.

A atividade integrada na iniciativa “A Minha Casa é a Tua Casa”, promovida pelo departamento de marketing da CdM, é uma forma de “democratizar o conceito da Casa da Música”, explica a coordenadora Gilda Veloso. “O objetivo é abrir as portas às pessoas, para que novos públicos se aproximem de uma casa que é de todos”, frisa a responsável.